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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Como passar em concursos públicos!

Meus caros:

   No sábado passado estive em Curitiba, junto com os juízes federais Leandro Cadenas e Fabrício Bittencourt da Cruz, proferindo palestra na Escola da Magistratura Federal, da APAJUFE (www.esmafe.com.br), sobre o tema como passar em concursos públicos. Foi uma atividade muito positiva. Aproveitando o material que preparei para a ocasião volto, na postagem de hoje, ao assunto concurso público, que é de interesse de muitos que acompanham o blog “A arte da Excelência”.

   Pois bem, como já destaquei na postagem “O segredo para passar no concurso de Juiz Federal”, a aprovação em um concurso público depende de muito estudo. Não tem como ser de outra forma. Assim, para que se tenha a perseverança necessária para enfrentar dias, meses, anos de estudo, é necessário, antes de mais nada, tomar a decisão entre seguir ou não a carreira pública. Não vale a pena começar a estudar sem ter a certeza de que esse é o caminho que se quer seguir. E quanto maior e mais detalhada a certeza, com motivações fortes, que vêm de dentro de cada um, maior a chance de sucesso. Nesse momento é preciso avaliar prós e contras e ter a convicção de que os pontos positivos superam pessoalmente os negativos. Também é interessante que a motivação se projete para além da aprovação e das vantagens do cargo almejado. Afinal, passar em um concurso público não é como ganhar a loteria de final de ano. Depois da posse será necessário trabalhar todos os dias na atividade escolhida, cumprindo com as responsabilidades do cargo e comprometido com a prestação de um serviço de qualidade.

   Uma vez tomada a decisão de que a carreira pública é uma grande meta a ser alcançada, o passo seguinte, evidentemente, é começar a estudar. Planejamento e definição de estratégias de estudo são fundamentais nessa etapa. Como já observei no e-book “A arte da Excelência”, não existe um método único ideal de estudo. Cada um terá de encontrar o que lhe seja mais adequado. Mas alguns aspectos são básicos. Primeiro, definir a área em que se quer trabalhar. É complicado estudar para concursos da esfera trabalhista, federal e estadual ao mesmo tempo. Então, concentrar o foco na área de interesse principal é uma boa estratégia. Não impede que se façam concursos fora desse campo, mas o estudo estará concentrado naquilo que se tem como meta final. Para além disso, é importante ter constância nos estudos, manter-se equilibrado física e emocionalmente e escolher livros que apresentem grande quantidade de informações de qualidade no menor espaço possível.

   E quando chega a data da prova, o que fazer? Bem, é preciso observar, de início, que os melhores concursos geralmente se prolongam no tempo. Eles se dividem em várias etapas. Assim, o primeiro passo é ter paciência. Enfrentar cada etapa de uma vez, sem ficar antecipando cenários e dificuldades das etapas seguintes, ainda que o planejamento de estudo deva levar isso em consideração.

   Em relação à prova objetiva, o princípio de tudo, penso que o principal é tomar consciência de que por maior que seja o número de candidatos, a prova é um desafio pessoal. Parece estranho o que vou dizer, mas a verdade é que o concurso público é uma competição consigo mesmo e não com outros candidatos. Se você superar seus limites, trabalhar na melhoria contínua e conseguir chegar a um nível de conhecimento necessário para o exercício do cargo almejado conseguirá a aprovação, independentemente de quanto os demais candidatos estejam preparados. Então concentre-se em você mesmo, em fazer uma boa prova, e não se deixe impressionar pelo número assustador de pessoas que se fazem presentes no local do exame. Eles apenas lhe dão um referencial do que é exigido para a aprovação no concurso, mas sua batalha não é contra eles. É contra seus próprios limites de conhecimento.

   As provas escritas são o momento de mostrar tudo o que se sabe. Não se restrinja ao básico. Faça referências, mesmo que curtas, cite jurisprudência, aponte rapidamente a posição dos principais autores, inclusive dos membros da banca, se souber. Você precisa mostrar aqui seu diferencial em relação aos demais candidatos, que justificam sua “contratação” pelo Estado. Um detalhe: procure usar uma letra legível, para garantir que o examinador consiga ler por completo suas respostas.

   A prova de sentença é a etapa que considero mais complexa e difícil. Em geral os casos são intrincados, principalmente na sentença penal. E via de regra mesmo quem trabalha com sentenças não analisa tais casos com habitualidade. Ainda mais com pressão de tempo. Então a preparação para essa etapa exige muito treino. Fazer e refazer diversas sentenças confere a prática e a velocidade necessárias para um bom desempenho. Em relação à pressão do tempo, procure manter a calma e fazer o seu melhor. Estudar a estruturação formal da sentença previamente e já levar isso na memória é algo que ajuda muito, principalmente na sentença penal. E lembre-se: ao mesmo tempo em que resolve o caso você precisa mostrar conhecimento teórico, justificando suas decisões de forma adequada. Afinal a sentença de uma prova é antes de tudo um elemento de avaliação.   

   Por fim, a prova oral. Temida por muitos, essa na verdade é a hora do show. Aqui é preciso mostrar que você está pronto, maduro para função, além de possuir o conhecimento necessário para o cargo (em verdade já demonstrado nas etapas anteriores). Treinamento antecipado em situações que exigem improviso é a grande chave para o sucesso. Treine falar em público, aproveitando situações como apresentar palestras sobre qualquer tema, fazer alguma leitura na igreja, dar aulas. Enfim, desde logo coloque-se em situações que lhe ajudem a ter confiança no seu potencial perante os outros. E não tenha medo da banca. Cobrar, perguntar, colocar em dúvida suas respostas faz parte do trabalho deles. Esteja preparado para isso. Tenha respostas prontas para sair-se com polidez, respeito e desembaraço de situações em que seja pressionado,

   É isso, meus caros, em um rápido resumo do que falei em Curitiba no sábado que passou. Uma última questão é sobre fazer cursinhos preparatórios. É bom? Vale a pena? Minha opinião pessoal é que não adianta fazer cursinho e não estudar em casa. O estudo em casa é que leva à aprovação. Também não adianta muito fazer um cursinho que não acrescente conhecimento, ainda mais se você não tem muito tempo para estudar. Ficar revendo o que se sabe não ajuda muito. Então vai depender das necessidades e possibilidades de cada um. De qualquer modo, ao chegar na prova de sentença e oral parece-me interessante a participação em cursos específicos dessas duas etapas. Como referi, elas exigem muito treino. Os cursos de sentença irão lhe dar prática, confiança e conhecimento teórico para enfrentar esse desafio. Os cursos para a prova oral, especialmente aqueles que fazem simulados, permitirão vivenciar antecipadamente a experiência de ser questionado pela banca. Fica a dica, para aqueles locais em que não se tenha um curso desse tipo, para pedir a alguns amigos da área jurídica que lhe ajudem, montando uma banca simulada.

Um grande abraço e até semana que vem. Para quem ainda não leu, deixo a indicação final de complementar o conteúdo da postagem "baixando" gratuitamente aqui no blog o e-book "A arte da Excelência", que tem o concurso público como um de seus temas.

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

PS: já estão disponíveis na página inicial do blog "A arte da Excelência" os links para acesso  gratuito aos vídeos da palestra "Como passar em concursos públicos", promovida pela ESMAFE/PR.

4 comentários:

  1. Emmerson,

    Creio que na prova oral é muito importante que o candidato seja ele mesmo. Não tentar montar um personagem, pois a banca quer saber quem ele é, o que ele pensa, no que ele acredita.

    Lembro-me de um caso em que o candidato (que não tinha qualquer problema de visão) comprou óculos parecidos com o de grau para parecer mais velho, mais maduro... rs! E foi assim para a prova oral. Levou bomba!

    Abraço,

    Márcio

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  2. Marcio,

    Você tem toda razão, obrigado pelo comentário. De fato não há como se sair bem diante de uma banca tentando ser alguém diferente do que se é. Por isso é importante investir desde logo em se tornar alguém maduro para o cargo, preparado para enfrentar pressão. Isso só se consegue colocando-se no dia a dia em situações que exigem o aprimoramento pessoal.

    De outro lado, cuidar do visual, como um elemento acessório, parece-me que também é interessante. De certa forma é uma demonstração de maturidade cortar o cabelo, estar de barba feita, usar um terno neutro e que combine. Sem exageros, claro. Sobriedade é o caminho. Não que isso seja essencial. Mas estar com a aparência correta para uma entrevista de emprego é uma indicação de 10 entre 10 profissionais que trabalham com seleção de pessoal.

    Um grande abraço,

    Emmerson

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  3. Emmerson, gostei muito do presente tema, qual seja, concursos públicos. De fato, a sua aula está sendo de muito valor, haja vista que o concurso nos traz várias situações complexas, tais como stress, nervosismo, cautelas, estudos, dedicação, renúncias etc. Eu estava firme, mas, acabei parando os estudos em 2010/2011, pois, no último concurso aqui em Minas Gerais para Juiz do TJMG foi uma decepção só, houve falta de transparencia, abuso da banca e segundo, as más linguas até fraudes, em benefício de familiares dos DEsembargadores, um balde de água fria na minha cabeça, acho que o fato é de conhecimento do Senhor. No entanto, estou tentando voltar, as forças estão poucas, mas, acredito em Deus, e retornarei aos estudos porque acredito em mim e em minha vocação, obrigado pelos conselhos, viabilizados no texto postado no seu blog. A próposito, o blog é excelente, nem sei como consegui encontrá-lo, mas foi um grande achado nesse mundo da net, sempre que dá, passo para dar uma espiada, pois, a cada texto que leio aqui, me aprimoro mais um cadinho.

    Um Grande Abraço.

    Marcelo Figueiredo - Adv em BH/MG

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  4. Marcelo,

    Não fiquei sabendo exatamente o que aconteceu no concurso que você mencionou. Mas de modo geral quando um concurso fica sob suspeita é sempre algo desmotivador, ainda mais se é o concurso que temos como meta principal.
    De qualquer modo, o concurso público ainda é o sistema mais justo e isonômico para preencher uma vaga de trabalho que se tem. Se você for o melhor será o escolhido, como disse outro dia o amigo juiz federal Leandro Cadenas, em uma palestra. Já em uma empresa privada, por exemplo, você pode ser o melhor, mas quando o cargo é bom sempre entram elementos de apadrinhamento. O melhor currículo dificilmente terá alguma chance. No concurso público a regra é o melhor ser selecionado. Quando acontece apadrinhamento é um desvio e existem mecanismos cada vez mais eficientes de fiscalização, especialmente nos concursos jurídicos.
    Assim, a ideia é não deixar que uma situação específica seja elemento de desmotivação. Acredite, é possível passar sem ser amigo de ninguém.
    Eventualmente, se em algum lugar ainda existe favorecimento por apadrinhamento, enquanto isso é resolvido nas instâncias próprias, há uma série de excelentes concursos que podem ser feitos com confiança na lisura da seleção. Eu, por exemplo, acabei escolhendo fazer concursos da área federal. Foram várias razões. Desde gostar das matérias de Direito Público, passando pelo grande número de concursos com programas semelhantes, até fazer uma análise da situação de estrutura de trabalho que teria após a aprovação. A escolha, portanto, deve levar em conta diversos elementos, o que pode incluir, conforme o caso que você relatou, a confiança no processo de seleção.

    Um abraço,

    Emmerson

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