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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Planejar é realmente preciso?

 Prezado(a),

   Recentemente tive a grata oportunidade de conhecer o empresário Mário Gazin, líder da melhor empresa para se trabalhar no Paraná, segundo o ranking da revista Exame. Empresa esta que figura entre as do topo desta lista há alguns anos. E uma das coisas que mais me impressionou foi a aficção dele pelas metas. Já de início é curioso observar que tem as metas para o ano impressas em seu cartão de visitas. Algo como faturar R$186 milhões por mês, os objetivos de margem no atacado, geral e crescimento patrimonial. Além de indicar que ao atingir as metas os funcionários ganham viagens de oito dias em locais procurados para descanso e lazer. Tal como a turma de 200 funcionários que estava indo para o Chile.

   Imagine as metas espalhadas por todos os cantos da empresa. Pelo o que me contaram existem placas até nos banheiros. Os funcionários têm a oportunidade de levar para casa as metas impressas em roupas de baixo masculinas ou femininas distribuídas pela empresa para que mesmo nos momentos de lazer a dois, com suas esposas ou maridos, não se percam rumo aos objetivos.

   Os funcionários comissionados são cobrados pelos objetivos individuais. Segundo o Sr. Mário, ele não mantém funcionário que ganha por três meses consecutivos menos do que um certo patamar. Extremamente perspicaz, diz que não compensa manter toda a estrutura de espaço, mesa, cadeira, telefone, etc se não houver uma produtividade mínima. No fundo, acredito que também seja um indicativo de que é preciso cuidar para se ter as pessoas no lugar correto, que não adianta ficar se enganando. Temos que encontrar o lugar aonde somos produtivos.

   Após este contato inicial com a fixação pelas metas, fiquei inquieto porque sempre fui bombardeado com informações de que as pessoas não gostam de metas. Em especial os brasileiros não gostam de planejar. Contudo, estamos falando da melhor empresa para se trabalhar no Estado! O pessoal gosta de trabalhar lá!

   Lembro-me de um programa na rádio CBN em que se observava que muitos saem de seus empregos e montam um negócio próprio para não terem metas e respectivas cobranças. No entanto, 30% dos funcionários da Gazin são empreendedores (têm investimentos próprios em outra atividade) e continuam trabalhando no grupo. Alguns são empreendedores de porte considerável o suficiente para lhes permitir uma aposentadoria antecipada. E continuam lá.

   No final de semana conversava com um novo empresário de quem pude comprovar na prática o que ouvira na CBN. Teve a experiência de acompanhar metas no escritório anterior e para seu negócio quer algo bem mais simples. Longe de números complexos e índices estonteantes. No entanto, ao descrever como quer seu escritório, sem perceber, demonstrou que sabe aonde quer chegar. Tem uma meta, um plano. Também já demonstrou que começa a definir os indicadores que lhe são mais importantes e a fazer comparação (“benchmarking”) com outros profissionais da área. Tem um valor de faturamento mínimo para cobrir os custos atuais e um planejamento de número máximo de funcionários até onde quer chegar. Isto quer dizer, até um planejamento de médio prazo já está esboçado. Parece até que não deu trabalho. Mas acredito que tenha custado um bom tempo de meditação para chegar a estas conclusões. No final das contas, cheio de metas.

   Muitos pequenos empresários atuam assim. Na prática eles têm metas e um plano de como chegar lá. Embora não o percebam. Pessoalmente, sou favorável a concretizar colocando o plano no papel. Esta é uma etapa importante para que se possa fazer um acompanhamento ao longo do tempo. Mas, mesmo que não se escreva, o mais relevante é ter metas e planos. A experiência da Gazin me ajudou a aceitar que de fato não gostamos é de objetivos errados. Aqueles sobre os quais não temos nenhum controle ou influência. Aqueles que nem sabemos ao certo como mensurar. Há muitos cuidados necessários a uma correta definição de metas. No mais, precisamos delas.

   As metas, aliás, podem ser muito positivas em nossas vidas. Ontem participei de um bate-papo com Renato Follador, autoridade em previdência privada. Dentre os diversos números sob os quais nos debruçamos, estavam os da expectativa de vida. Todos sabemos que ela está crescendo. Na média, vivemos cada vez mais. Mas, poucos se atentam ao fato de que a expectativa de vida da mulher está cada vez mais adiante da masculina. Segundo ele, a mulher, que antigamente cuidava só do lar, era extremamente prejudicada pela falta de metas, ao presenciar o esvaziamento da casa com a saída dos filhos. Hoje, com uma vida profissional ativa, tem a oportunidade de definir metas para todas as etapas, incluindo a terceira idade.

   Desnecessário enfatizar que ao falar de previdência passamos pela questão do planejamento. Segundo Renato, o brasileiro não gosta de planejar a longo prazo. Temos razões históricas para isso, tal como períodos de inflação e instabilidades. Soma-se o fato de que temos uma tendência a olhar para o futuro com uma visão de que será muito melhor do que hoje. Muito embora tudo indique que na verdade ao menos a previdência pública trará cada vez menor rendimento a seus aposentados e pensionistas. Portanto, para uma boa qualidade de vida na velhice, faz-se primário planejar desde cedo. Planejar como manter a excelência ao longo de todo o ciclo de vida.

   Gostaria de fechar citando uma recomendação do Sr. Mário: execute os seus planos. Parece óbvio, mas nem sempre visível na prática. Planeje um pouco e coloque em prática com disciplina e persistência. Sem este passo, metas e planos são completamente inúteis na missão de ajudá-lo na caminhada para a Excelência.

Abraços,

Emmanuel Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

3 comentários:

  1. Caro Emmanuel,

    Gostei da postagem.

    Até para levarmos os filhos à escola temos que planejar antes!

    Agora, sobre a previdência privada, no Brasil, temos um problema de credibilidade pois algumas instituições faliram (outras não cumprem o que prometeram após 40 anos de contribuição) e isso fica marcado na lembrança das pessoas.

    As empresas terão que ser muito transparentes e ter um patrimônio muito sólido para atrair investidores em previdência privada. Eu ainda não me conveci.

    Abraço,

    Márcio

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  2. Oi Márcio,

    obrigado pelo comentário.

    O histórico da previdência privada no país realmente não é dos melhores. Os bons exemplos de previdência que temos são os fundos, por natureza fechados. Não estando disponíveis a todos.

    Muitos sentem-se inseguros e acabam entrando em programas de previdência privada dos bancos estatais (tal como BB e Caixa). Acreditam que estes não quebram. Não me convenço por esta alternativa por que as taxas de administração são muito altas. Projetando para décadas, a perda é grande.

    Das opções com as quais me deparei, as melhores continuam sendo as oferecidas por empresas de porte a seus funcionários. Em geral são suportados por instituição de investimento profissional, oferecem baixas taxas de administração e muito frequentemente a empresa também contribui com alguma coisa. Uma boa estratégia de retenção se bem trabalhado. Pequenas e médias empresas também podem oferecer este benefício a seus funcionários e diretores.

    Não sou vendedor de previdência privada e posso dizer com tranquilidade que a estratégia para reduzir riscos é diversificar. A previdência se contrói também de outras formas. Até o investimento em uma casa própria, que nos tempos de elevado retorno dos juros bancários era visto como ovelha negra, pode ser considerado uma imobilização para a aposentadoria. Afinal, você não terá que pagar aluguel quando estiver aposentado.

    O importante é planejar-se financeiramente e se preparar para viver bem durante todas as fases da vida.

    Abraços,
    Emmanuel.

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    1. Emmanuel, penso como vc: nunca colocar todos os investimentos numa coisa só! Diversificação é a palavra-chave.

      Sobre os fundos do BB e da CEF, sinto dizer que, na verdade, são empresas "terceirizadas" que administram os fundos. Então, pelo que pesquisei, são empresas privadas que mantêm contratos com os bancos estatais e que "usam" o nome destes últimos para atrais clientes... Se um dia quebrarem, isso irá dar muita discussão e, na minha modesta opinião jurídica, a responsabilidade final é do BB e da CEF porque o consumidor acredita piamente que está contratando com estes bancos, e não com terceiros (teoria da aparência).

      Forte abraço,

      Márcio

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