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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Faculdade: estudos, amigos e diversão!

Meus caros:

   Tenho recebido alguns e-mails de pessoas perguntando sobre como devem organizar seus estudos durante a faculdade, visando no futuro a aprovação em um concurso público. Recentemente também aqui no blog, em um comentário, foi pedido que falasse um pouco da minha experiência de estudos durante a faculdade de Direito. Diante desses pedidos resolvi escrever uma postagem sobre os tempos de faculdade. Não só dos estudos para concurso, mas de aspectos gerais que me parecem importantes nesse período único da vida de cada um de nós. Ou seja, aspectos que podem servir a qualquer estudante universitário, independente do curso e do interesse em prestar concursos públicos. Mas especialmente interessantes para quem visa ingressar na carreira pública, por certo.

   Pois bem, quando ingressei na faculdade de Direito, na Universidade Federal do Paraná, eu nem sabia se gostava de Direito, quanto mais o que queria fazer depois de formado. A única certeza que tinha é que precisava estudar, pois do contrário corria o risco de terminar o curso e não estar preparado para atuar profissionalmente. Minha experiência anterior, no ensino médio, mostrou-me que isso era perfeitamente possível. Explico: fiz ensino médio  técnico em eletrônica no CEFET-PR. Fui aprovado em todas as disciplinas que me conferiram o grau de auxiliar técnico em eletrônica (equivalente ao ensino médio). Mas quando fui tentar um estágio na área, necessário para obter o grau maior de técnico em eletrônica, descobri que não tinha o conhecimento prático e teórico suficientes para os estágios existentes. Para passar eu apenas lia o caderno, decorava os circuitos eletrônicos e as fórmulas de cálculo dos seus componentes. Com isso tirava a nota necessária para ser aprovado. Mas entender mesmo o que estava fazendo eu não entendia.

   Foi por essa razão que ao ingressar na faculdade de Direito eu tinha a certeza que não bastava apenas aprender as matérias que me seriam ensinadas. Eu precisava mais que tudo entender o Direito. Ou seja, não me adiantaria muito apenas decorar as leis e o caderno. Isso seria suficiente para me formar. Mas e depois? Para o depois eu precisaria entender como o sistema das leis funcionava, para poder trabalhar com elas e resolver os problemas que surgissem no exercício da profissão. Com esse espírito, ainda com meus 18 anos, comecei a frequentar as aulas. Preocupado em entender as coisas e não só em decorá-las e tirar nota.

   Acredito que esse tenha sido um ponto fundamental em todo o curso que fiz. Acabei, por exemplo, dando atenção, nos primeiros anos, a matérias que em geral os "veteranos" da faculdade chamavam de “perfumaria” (ou seja, para completar horas de currículo). Filosofia do Direito, Sociologia Jurídica, História do Direito, Introdução ao Estudo do Direito, Economia Política, Teoria Geral do Estado. Prestava atenção nessas aulas, lia os textos, interessava-me pelos assuntos tratados. Enquanto isso a maioria estava mais preocupado em aguardar as aulas de Direito Civil, Processo Civil, etc. Não que eu desconsiderasse essas matérias. Também as estudei no seu devido tempo, por evidente. Mas o interesse pela “perfumaria” reverteu a meu favor ao longo do tempo, por uma questão muito simples: o único momento em que questões mais de cunho “filosófico” de análise do Direito apareceram na vida acadêmica (e via de regra depois de formado também, ao menos na prática jurídica) foi nessas disciplinas. Depois disso o que se aprendia era apenas o Direito em si. Mas eram aquelas poucas disciplinas base importante para compreender o sistema jurídico, conseguir trabalhar com ele, achar soluções para os casos aparentemente insolúveis e ter um mínimo de espírito crítico em relação ao que seria o mais adequado em relação ao que existia no chamado "mundo jurídico".

   É interessante observar que foi só depois que comecei a estudar o Direito e a entendê-lo que passei a gostar dele. Aliás, lembro-me como se fosse hoje de uma palestra do Prof. Luis Roberto Barroso, no auditório da faculdade,  com o título “Direito e Paixão”. Estava no segundo ano e essa palestra foi para mim um marco entre a indiferença e a paixão até hoje cultivada pelo Direito. Mais ou menos nessa época um amigo, Olivar, que já estava no quarto ano, deu-me uma dica muito valiosa. Disse-me que eu precisava decidir desde logo se queria ser Advogado ou prestar concurso público. Isso era importante porque se queria ser Advogado deveria privilegiar estagiar em escritórios e obter o máximo possível de prática advocatícia, além de já ir abrindo caminho para uma colocação profissional ao final da faculdade. Já se queria concurso público deveria privilegiar os estudos, fazendo estágios em órgãos públicos que me trouxessem prática efetiva de elaboração de pareceres, minutas de sentenças, entre outras peças processuais que são cobradas em concursos. Mas que acima de tudo estudasse, porque concurso é antes de mais nada uma prova de conhecimentos teóricos.

   Eu ainda não sabia o que queria até então, mas comecei a pensar no assunto. Conversei com alguns professores e amigos e resolvi que o concurso público seria meu destino. Uma decisão pessoal com base naquilo que mais me atraía. Logo que fiz essa escolha fui convidado para participar da seleção de estagiários do escritório do Prof. Marçal Justen Filho. Todos sabiam que quem estagiava lá aprendia muito e ao se formar tinha colocação praticamente garantida no mercado. Evidente que só os melhores alunos eram convidados para a seleção. Lembro que na época o convite foi para mim, para um outro grande amigo, o André (que queria seguir a advocacia e por isso se interessava por esse estágio) e para uma terceiro colega que não me lembro quem era. Como já tinha traçado meu objetivo declinei do convite para a seleção e passei a fazer estágios em órgãos públicos e a estudar, como recomendado pelo Olivar. Até que no 4º e 5º anos da faculdade ingressei como estagiário na Procuradoria do Ministério Público do Trabalho. Lá tive a oportunidade de auxiliar diretamente o Procuradores, em especial Dr. Amadeu e Dra. Carmen. Com eles aprendi muito da prática que me levou a aprovação nos concursos que fiz. Enquanto isso, para não deixar a história em branco, André ingressou no escritório do Prof. Marçal e está lá até hoje, agora como um Advogado associado do escritório. Diga-se de passagem um grande Advogado, apaixonado pelo que faz.

   Pois bem, definido que iria seguir pela jornada dos concursos públicos, não elaborei nenhum plano de estudos específico para concursos já durante a faculdade. Nem sabia como fazer isso, para dizer a verdade. Resolvi, então, que iria utilizar esse tempo para estudar bem o que estava vendo na faculdade e aproveitar um pouco essa fase da vida. Tudo com moderação, nos limites certos. Quer dizer, ao invés de me preocupar com os concursos, preocupei-me  em adquirir um pouco de experiência de vida (fundamental para o sucesso futuro) e para formar uma boa base do Direito, estudando o que estava vendo na faculdade. O segredo aqui foi a constância. Uma hora em um dia, meia hora em outro, mas sempre estudando, lendo os textos indicados pelos professores, frequentando as aulas, fazendo as fichas de leitura e trabalhos pedidos. E nas semanas de prova um estudo mais aprofundado, claro. Ao mesmo tempo comecei a formar uma pequena “poupança”, economizando um pouco dos valores que recebia do estágio e de um projeto de pesquisas que participava. Tive a oportunidade de fazer uma faculdade pública, o que me permitiu economizar uma parte do que ganhava. Além de ter o apoio dos pais, que não dependiam de minha ajuda financeira. Projetei assim construir uma  reserva que me permitiria ficar uns 2 anos só estudando depois de formado, sem depender dos pais para as atividades de lazer e minha própria manutenção pessoal. Não poderia ir morar sozinho, mas teria o suficiente para pagar minhas contas. Ao mesmo tempo, ainda durante o curso de Direito, fiz o concurso para servidor da Justiça Federal em Curitiba. Naquela época não era um cargo tão disputado (e nem pagava tão bem quanto hoje), de forma que consegui ser aprovado, mesmo não entendendo muito bem sobre como estudar para concursos. O que me ajudou foi praticamente gabaritar na matemática, que aprendi no CEFET. Isso mostrou-me uma lição importante: tudo aquilo que plantamos lá trás pode reverter a nosso favor no futuro. 

   Com isso, cerca de 3 meses antes de me formar acabei ingressando como servidor da Justiça Federal. Aí minhas economias serviram para sustentar os gastos com os concursos que fiz adiante, mas já sem a pressão de um rigor orçamentário extremo. Resultado: era um dos que estava mais feliz no momento da formatura, pois sabia que pelo menos meu próprio sustento estava garantido. Ainda que faltasse muito para alcançar meus objetivos (o que já é outra história).

   De toda essa experiência da faculdade, que achei interessante relatar em forma de história de como os fatos aconteceram, para que todos possam ter a percepção que os acertos de nossas escolhas dependem de percebermos o que nos motiva, devo dizer que, a meu ver,  o mais importante na faculdade é aproveitar todos os aspectos dessa experiência única de um tempo que não volta mais. Estudar por certo é o elemento principal, a razão de ser da faculdade. Mas fazer amigos, interagir com os colegas, divertir-se nas festas e planejar os objetivos futuros com tranquilidade também. Tudo isso é experiência de vida. Viver intensamente cada momento é muito importante para não sentir falta disso no futuro. Especialmente tratando-se de um tempo único.

   Sobre os estudos em si, como já observei em um comentário na postagem “O segredo para passar no concurso de Juiz Federal”, é importante percerber que na faculdade a pessoa tem 5 anos para aprender e acima de tudo entender o sistema que está estudando (no caso do Direito o sistema jurídico). Depois de formado quem não aproveitou esses 5 anos terá que ver todo esse conteúdo em 1 semestre, em cursos de especialização. Fora o custo financeiro. Então a chave é aproveitar para estudar um pouco a cada dia nos 5 anos de faculdade. Não precisa obsessão. Basta constância. Isso fará com que na formatura a pessoa tenha uma excelente base. Depois, os estudos serão de aprimoramento, inclusive com capacidade para estudar sozinho, a partir de bons livros. Observo que quem não estuda regularmente na faculdade também se forma (não é difícil passar sem estudar, especialmente na faculdade de Direito). Mas no final estará 5 anos atrás de quem estudou um pouco a cada dia durante esses 5 anos. E com a diferença significativa de que na faculdade o estudo é mais tranquilo. Há mais tempo para estudar e também se divertir. Depois, ao ter que atualizar os estudos ao mesmo tempo em que se busca crescer profissionalmente, recuperar o tempo perdido é bem mais complicado.

   Portanto, meus caros universitários, aproveitem bem o tempo da faculdade. Encontrem alguns amigos que seguirão seus amigos pela vida. Façam contatos com os colegas que marcarão suas referências profissionais para sempre. Criem uma rede de relacionamentos positiva e saudável, baseada na convivência sem concorrência dos tempos da faculdade. Participem também das festas (mas não misturem bebida com direção: usem táxi se for o caso). Enfim, vivam esse período com intensidade. E preocupem-se em estudar um pouco a cada dia, prestando atenção nas aulas, tentando entender a coisa, lendo os textos complementares, procurando fazer as fichas de leitura. Para as provas tentem se organizar para estudar de forma mais aprofundada na semana de exames. E não fiquem presos apenas ao caderno, mesmo que a gente saiba que em regra ele garante a aprovação. O resultado será a formação para o exercício da profissão, sem prejuízo de vivenciar esse tempo especial que é a faculdade. Com certeza ficará muito mais fácil passar no exame da OAB ou em algum concurso público.

   Por fim, lembrem-se do ditado: “quem faz a faculdade é o aluno”. Essa é uma grande verdade. Se você está em uma faculdade que é referência no cenário jurídico, não ache que só por isso seu sucesso está garantido. Se sua faculdade não é tão notória assim, saiba que a diferença no resultado final não está na faculdade, mas no seu estudo. Talvez os professores da faculdade de renome possam ser grandes mestres e orientadores, como no meu caso na UFPR em relação a alguns professores. Já em alguma faculdade de menor repercussão isso eventualmente acabe faltando e seja preciso correr atrás de complementação de conteúdo por conta própria. De qualquer modo, a realidade é que tenho amigos e colegas juízes que vieram das mais diversas faculdades. Algumas de renome. Outras sem expressão alguma. A diferença para a aprovação no concurso foi a dedicação de cada um.

Um grande abraço,

Emmerson Gazda

Um comentário:

  1. Gostaria de agradecer pela postagem, era exatamente o que eu precisava ler, estou no 3 período e tenho 18 anos, agora estava pensando em prestar concurso público, e você disse tudo que eu queria ler.

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