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sexta-feira, 25 de abril de 2014

O desafio atual é sempre o mais difícil!

 Meus caros:

   Essa semana estava me lembrando do tempo em que estudei e prestei concurso para a Magistratura Federal. Já se passaram 15 anos desde então (como passa rápido!), mas lembro-me com detalhes do esforço, das dificuldades, das angústias e da necessidade de muito estudo. Lembranças importantes para manter sempre viva a alegria da atividade profissional que realizo hoje, fruto do apoio de muitos e da atitude pessoal que tive em enfrentar algo que parecia inatingível. Ao mesmo tempo, lembranças que volta e meia aproveito como motivação para encarar novos desafios, para acreditar que é possível atingir algo que a primeira vista parece impossível.

   Sim, lembrar das “conquistas” do passado é algo que nos permite encontrar inspiração e disposição para encarar novos desafios. Aliás, muitas disposição, já que inspiração é apenas 1% do problema, como dizia Einstein. O resto é transpiração.

   Quando o assunto é repetição de algo grandioso que algum dia já realizamos, a questão é mais de disposição para transpirar do que inspiração. Porque já sabemos que é possível. Isso é algo positivo porque sabemos que somos capazes de realizar aquele feito. Mas tem o lado negativo: também sabemos o quanto é difícil, o quanto teremos de nos dedicar para tanto. E aí vem aquela preguiça e a dificuldade de encontrar ânimo para atingir mais do mesmo.

   Bernardinho, técnico da seleção brasileira de Vôlei, falou sobre isso certa vez em uma palestra, dizendo o quanto era complicada a missão de manter-se no topo após já terem conquistado todos os títulos possíveis e imagináveis em várias temporadas. A solução que ele encontrou foi de chegar no vestiário da seleção após cada um dos muitos títulos conquistados e já ir avisando que no campeonato seguinte ia ser mais difícil, pois todo mundo ia se preparar ainda mais para ganhar deles. Ou seja, Bernardinho colocava sempre um desafio a mais, um adversário imaginariamente em melhores condições no próximo confronto. E daí surgia a motivação para trabalhar pela vitória de forma contínua.

   Agora, quando o assunto é realizar algo totalmente inédito em nossas vidas a coisa se torna um pouco mais complexa. Porque além da disposição para transpirar, existe muitas vezes a dúvida sobre a inspiração. Quem de nós nunca se perguntou “será que eu consigo?” A dúvida é algo normal e o medo de não conseguir é inerente ao mecanismo da mente humana. O que eles não podem fazer é paralisar nossas ações. Porque aí de fato não vamos a lugar nenhum.

   É nesse momento de dúvida e de medo que eu gosto de olhar para as coisas positivas que consegui fazer no passado. Depois que passa a conquista muita gente vai esquecendo gradativamente como conseguiu chegar tão longe. Até que a conquista se torna apenas uma vaga lembrança.

   A conquista de que falo aqui não necessariamente precisa ser a aprovação em um concurso público difícil ou algo ainda mais grandioso como a conquista de uma Liga Mundial de Vôlei. Podem ser pequenas conquistas, como ter aprendido a tocar violão, ter passado no vestibular, ter conseguido se formar na faculdade mesmo tendo que trabalhar durante o dia todo, ter escalado uma montanha ou mesmo ter feito algo que talvez lhe pareça tão simples hoje, mas que para uma criança é tão complicado: aprender a ler e escrever. 

   A percepção pessoal do “sim, eu posso” é algo que podemos extrair se olharmos para trás e vermos que já vencemos vários desafios que pareciam impossíveis ou difíceis no contexto da época. É algo que nos mostra que temos condições de vencer os desafios que estão na nossa frente. Podemos também usar como aliado mental o fato de outras pessoas já terem conseguido realizar o nosso objetivo, é claro. Mas acima de tudo é importante nossa percepção de que nós somos capazes, de que nós já superamos desafios e por isso podemos ir mais longe. Até porque existem coisas que nunca ninguém fez e nem por isso você não será capaz de fazer. Então temos de nos balizar principalmente por nós mesmos, pela nossa própria capacidade, e não só pela capacidade dos outros.

   É nesse ponto que muitos esbarram novamente na pergunta: “mas será que eu vou conseguir?” E a dúvida vem com justificativa: “porque os desafios do passado eram bem mais fáceis que esse que eu quero superar agora!”

   Para essas indagações eu deixo uma pergunta muito simples: “será que isso é mesmo verdade?” Porque o que tenho notado é que na verdade o desafio atual, o desafio que ainda não superamos, é sempre o que nos parece mais difícil. Mas não necessariamente é o mais difícil de fato. Apenas parece assim porque ainda não o vencemos.

   Quem gosta de jogar videogame sabe que alguns jogos têm fases impossíveis de serem superadas. Impossíveis até que o jogador desenvolve a habilidade e aprende os segredos necessários que tornam a coisa possível.

   No concurso para Juiz Federal lembro que quando estava estudando para a primeira prova, de marcar “x”, achava que essa prova era a mais difícil porque eu não era muito bom em decorar. Se eu passasse nessa fase pensava que o resto seria mais fácil. Depois que fui aprovado nessa prova e comecei a estudar para a prova seguinte, de sentença e descritiva, “percebi” que a prova objetiva, de marcar “x”, era muito fácil perto da dificuldade de fazer uma prova de sentença. E quando cheguei à prova oral passei a ver a prova oral como algo muito mais difícil que o resto do concurso, pela necessidade de mostrar conhecimento em tempo real, saber se expressar em público, ter que controlar a ansiedade, a pressão e ainda estar diante de uma banca com pessoas que sabiam bem mais de Direito que eu. Agora, 15 anos depois, pensando bem, acho que todas as fases do concurso tem sua dificuldade em um nível semelhante. Muda apenas a parte do conhecimento que está sendo avaliado. Mas na época a fase seguinte, o próximo desafio, era sempre mais difícil.

   Enfim, olhar para o sucesso do passado como um elemento de motivação para conseguir superar novos desafios é algo importante nos momentos de dúvida sobre nossa capacidade de atingir novos objetivos. Podemos daí extrair a certeza de que já fizemos muito e podemos realizar ainda mais. Basta iniciar o processo de transpiração e trabalhar firme, olhando para o sucesso do passado como um elemento de motivação para construir um sucesso ainda maior.

Um grande abraço,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

2 comentários:

  1. Mais um excelente texto Dr. Emmerson!

    Estou em um momento de transição onde as dúvidas volta e meia vem a minha cabeça. Suas palavras me fizeram refletir sobre esse novo desafio em que me lancei de corpo e alma, a aprovação no exame de ordem. Grande abraço!

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  2. Ótima reflexão, caro Emmerson!

    Abraço,

    Márcio

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