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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Em busca da simplicidade!

 Meus caros:

   A vida na sociedade atual é cheia de complexidades. Para qualquer lado que se olhe são muitas opções, escolhas a serem feitas, necessidades a serem atendidas, cuidados a serem tomados. O desenvolvimento trouxe consigo inúmeras possibilidades e também inúmeros riscos. Ambos tornam necessário estar constantemente atentos a tudo o que acontece ao nosso redor. 

   Além de todas essas coisas que fazem parte da nossa vida presencial, a tecnologia da informação nos traz à presença imediata e direta inúmeras outras questões e situações que acabam por ampliar ainda mais nosso espectro de atenções. Algumas pessoas, inclusive, já vivem hoje mais no mundo virtual do que no mundo físico, no qual acabam ficando só com o corpo. Mente e espírito se deslocam via tablet ou celular para todos os lugares do planeta, enquanto o corpo caminha pela rua ou senta para jantar sozinho, ainda que na mesa estejam outros "cyberviventes".

   A questão que coloco para reflexão hoje parte justamente dessa complexidade crescente da vida. Até que ponto ela nos afeta? Como as demandas parecem ser infinitas, o nível de estresse é alto, a correria intensa, não há tempo para tudo (ou quase nada) e no fim do dia, quando poderíamos ter algum tempo para nós é comum o estado de esgotamento. Não se consegue fazer mais nada a não ser não fazer nada. 

   Não fazer nada até pode ser bom, é importante que se diga, mas desde que seja por opção, não por imposição física. Porque quando é por puro cansaço, deixamos de fazer muitas coisas que são fundamentais para a nossa saúde física e mental. E não só para a nossa saúde. Também para o bem dos nossos filhos, amigos e familiares. Pense, por exemplo, quantas vezes você deixou de brincar com seu filho ou filha à noite porque estava muito cansado ou cansada? Isso afeta diretamente a criança e a família, pois esses momentos de brincadeiras são muito importantes para o fortalecimento dos vínculos familiares. E nos afeta diretamente porque no fundo todos os que amam seus filhos gostariam de ter disposição para brincar mais com eles. 

   Outro dia, aliás, conversando com um amigo que trabalha com autopeças e está sempre correndo, esbaforido, com nível altíssimo de estresse, ele comentou comigo que estava tentando alterar algumas rotinas em casa para poder ter pelo menos 1 hora tranquila para almoçar com sua filha de 5 anos, já que percebia que essa correria toda estava sendo ruim para ela. Aí eu disse para ele que não era só para a criança que era ruim. Também era muito ruim prá ele. E dei um exemplo do ramo de trabalho dele. Fiz uma analogia com um carro que anda o tempo todo em 6 mil giros de rotação. O que vai acontecer com o carro? Desgaste prematuro das peças e diminuição da vida útil, foi a resposta. Exatamente. E se ao invés do carro for o corpo humano, ou pior, o seu corpo humano vivendo em alta rotação? Essa é a questão.

   Muito bem, mas e aí, o que fazer? A maioria de nós, ou talvez todos nós, não tem ou mesmo não se sentiria bem em sair do meio desse turbilhão que é a vida moderna e voltar a viver como seus bisavós, em uma vida no campo, com a rotina definida pelo clima, o sustento vindo da terra e as necessidades com espectro mais limitado. Até porque a tecnologia já chegou no campo, as plantações viraram "commodities" e o clima está tão enlouquecido que nem sei se nossos bisavós viveriam com menos estresse no campo hoje do que é a vida na cidade.

   Pois bem, a verdade é que não podemos voltar à sociedade que se tinha há 50 anos atrás. E também não queremos isso, como regra. Ou alguém aí abriria mão do smartphone e confortos que se pode  ter no mundo moderno? Mas podemos modernizar algo que se tinha há 50 anos atrás, trazendo para as nossas vidas a busca pela simplicidade. 

   Claro que a vida nunca poderá ser tão simples como era há 50 anos atrás. Contudo, no meio dessa complexidade toda, existe uma série de situações que poderiam ser bem mais simples. Essa a ideia. E qual é a proposta? Procurar sempre diminuir as complexidades e ficar apenas com aquilo que seja efetivamente complexo. No resto a vida pode ser simples. Você vai me dizer que não há muito o que simplificar. Eu deixo um pergunta simples: será? Vou dar um exemplo de como complicamos as coisas. Um casal de amigos disse outro dia que gostaria de receber mais as pessoas em casa, mas tinha vergonha porque a casa era nova e não tinham conseguido ainda fazer a mobília que sonhavam. Eu pensei aqui comigo: nada mais natural do que terminar de construir uma casa e não ter dinheiro para a mobília. Aliás, geralmente o dinheiro acaba bem antes da hora da mobília em qualquer construção e a gente primeiro tem que pagar o financiamento prá depois concluir a decoração. Vejo, então, uma possibilidade de simplificar aí. Deixar de lado a vergonha, arrumar a casa mesmo que com móveis simples e usufruir da alegria que é confraternizar com os amigos. Isso é buscar a simplicidade. E se algum dos convidados achar aquilo muito simples talvez a solução não seja conseguir uma mobília nova e melhor, mas sim alguns amigos novos e melhores. Bem mais simples, apesar de não ser necessariamente mais fácil. 

   É isso, meus caros. Desafiadora essa reflexão de hoje porque envolve repensar nossos próprios paradigmas e tudo o que damos valor na vida. Será que estamos dando valor e nos preocupando com aquilo que é realmente importante? Ou estamos perdendo muito tempo com complexidades materiais e emocionais que não nos levam a lugar algum? A vida é muito curta para diminuirmos ela ainda mais rodando a 6 mil giros por coisas que no fundo talvez não sejam tão importantes. Enquanto isso o que poderia nos fazer realmente felizes e por mais tempo pode estar sendo desperdiçado. Pensemos nisso!

Um abraço,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Reflexões sobre acesso à Justiça e o processo eletrônico

Meus caros:

   Hoje descobri que uma palestra que proferi no final de 2013, na cidade de Londrina/PR, aonde tive o prazer de viver por 2 anos, está disponível na internet, através do canal do youtube da Escola da Magistratura Federal do Paraná (ESMAFE/PR). Na oportunidade falei sobre questões práticas ligadas ao acesso à Justiça e como o processo eletrônico se insere nesse cenário. Uma abordagem bastante interessante para quem gosta de pensar e refletir sobre como podemos melhorar nosso sistema jurídico. O link para a palestra é https://www.youtube.com/watch?v=pD4CaGWnTPM.

   Fica, ainda, para o pessoal da área jurídica, a dica do canal da ESMAFE-PR no youtube, que além dessa minha palestra tem uma série de outras sobre temas atuais e que podem permitir a constante atualização profissional. O link do canal da ESMAFE/PR no youtube é https://www.youtube.com/channel/UCPGlz3IPWY51GfVL-AyrcrA.

Um grande abraço,

Emmerson Gazda

domingo, 25 de janeiro de 2015

Perdi “o chão”! E agora?

 Meus caros,

   O tema da postagem de hoje é difícil de ser abordado. São muitas as situações em nossas vidas em que passamos por momentos mais delicados. Algumas delas nos fazem perder o rumo, não saber o que fazer. Enfim, ficamos “sem chão”, como diz a expressão popular.

   Os fatos da vida que nos levam a uma situação dessas são os mais variados. Alguns estão ligados a grandes objetivos que se frustram, como por exemplo reprovar em um concurso difícil, na última etapa, depois de mais de um ano de dedicação total à aprovação. Outros ligados a fatores fora de nosso controle, como deparar-se com a morte repentina de uma pessoa amada, ver o casamento tão sonhado diluir-se e enfrentar uma separação, descobrir a si mesmo ou a uma pessoa próxima diante de uma doença grave, com tratamento sofrido, complicado e de longo prazo, ou mesmo com prognóstico indefinido.

   A questão para reflexão, nesse cenário, é: o que podemos fazer quando enfrentamos uma situação dessas, diretamente ou através de alguém muito próximo? Como disse de início, a resposta para essa pergunta é bastante difícil. Na verdade não há uma resposta. Existem possibilidades, alternativas de soluções que devemos buscar. Essas possibilidades vão variar, ainda, dependendo de qual seja o problema originário.

   Por exemplo, no caso da morte inesperada de uma pessoa amada. Um fato é irreversível nessa situação, que é a morte. O período de luto e tristeza pela morte também é natural, assim como as saudades que ficarão. Mas podem existir diversos elementos que se perpetuam além do sentimento da perda. Arrependimentos por não se ter estado tanto quanto se gostaria com a pessoa, mágoas que por vezes se constroem durante a vida e que por alguma razão não foram dissolvidas. Ou mesmo o luto permanente, em que não se consegue superar a perda. 

   Usei como exemplo a morte porque de certa forma essa é uma situação bastante delicada, em razão de sua irreversibilidade do ponto de vista material. Claro que as crenças espirituais de cada um podem explicar a morte e mostrar que o fato não é tão drástico assim como parece. Mas do ponto de vista da nossa vida terrena é um fato sobre o qual nada podemos fazer. Insucessos pessoais ou profissionais, o fim de um casamento, a não aprovação em um concurso e até uma doença podem ser enfrentadas com uma perspectiva de superação da dificuldade momentânea, de forma que se dê a volta por cima e se consiga mais adiante estar em uma situação favorável. A morte não permite essa abordagem. Em relação a ela o que se pode fazer é trabalhar em sua aceitação, em superar a perda e todas as situações relacionadas. Em alguns casos a ajuda profissional pode ser importante. 

   Agora, em relação a todas as outras situações da vida, como naquelas em que não alcançamos nossos objetivos ou nas quais no vemos privados de nossa saúde, por exemplo, além da aceitação da situação, que sempre é um elemento importante, podemos atuar de forma positiva no sentido de modificar o estado atual, lutando com todas as nossas forças para alcançar nosso objetivo. Nem sempre é fácil começar tudo de novo. Quem reprova em um concurso para Juiz Federal na prova oral, por exemplo, sabe o quanto é difícil voltar à estaca zero. Da mesma forma, e certamente com muito mais dramaticidade, quem está em tratamento contra uma doença grave tem um grande impacto psicológico negativo em ver que depois de uma fase de tratamento ainda é necessário mais tratamento. 

   Para ilustrar o que estou dizendo posso referir aqui uma doença como o câncer, que nos dias de hoje já permite acreditar em tratamento com total sucesso. Mas esse tratamento vai exigir disciplina, paciência, perseverança e percepção de que em regra haverá várias etapas, as vezes durando por toda a vida, em que a doença é controlada, não eliminada. Também há situações de adoecimento muito mais simples que também exigem dedicação e esforço para a cura ou, em muitos casos, para se manter uma vida em boas condições. Quem já teve algum problema ortopédico sabe que todo tratamento começa com 10 sessões de fisioterapia. E depois vêm mais 10 e mais 10 e mais 10, a depender da recuperação. Conforme o caso mais 10 sessões por tempo indeterminado. 

   Enfim, o que quero dizer é que quando tudo dá errado em nossas vidas, seja de forma específica ou em grande escala, só nos resta uma alternativa, depois que o período de "luto" for superado: olhar para frente e seguir adiante, fazendo tudo o que estiver a nosso alcance para realizar o maior projeto de todos que é viver. Ficar olhando para trás, remoendo o passado, procurando culpados, não aceitando o que aconteceu, etc, ajuda apenas quando pensamos quais foram nossos erros para acertarmos no futuro. Definidos os erros o melhor é deixar o passado para trás e concentrar-se no presente,  que é aquilo que de fato se pode fazer ser diferente. 

   Por evidente que o presente texto não tem condições de abordar todas as facetas de um assunto tão complexo. O que se pretende dizer, contudo, é que se por algum motivo você "perdeu o chão", o que deve fazer é olhar para frente e tentar encontrar uma "luz no fim do túnel", uma luz que lhe conduza para um bom caminho. É preciso ter esperança e não se desesperar. Compartilhando ideias e experiências sobre o assunto é possível encontramos apoio para seguir adiante. É isso que devemos fazer. É isto que, no fim das contas, nos resta fazer. Seguir adiante. Foco no presente!

Um grande abraço,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O que é essencial em sua vida?

 Meus caros:
 
   Uma das coisas mais importantes para podermos alcançar a Excelência é sabermos o que é essencial em nossas vidas. Tanto na vida pessoal, quanto na vida profissional. Em certa medida já falei sobre esse tema em postagens anteriores, mas volto ao assunto porque refletir sobre a essencialidade das coisas é algo que temos de fazer constantemente. Sempre há uma nova abordagem possível, que nos permite uma visão por outros ângulos.
 
   Pois bem, na postagem de hoje quero fazer um convite para pensarmos a questão sob dois enfoques. O primeiro, deixando de lado todas as outras pessoas e concentrando a reflexão apenas naquilo que nós mesmos vemos como essencial em nossas vidas. Esqueça que o mundo existe e pense apenas em si mesmo para fazer uma listagem do que você vê como essencial para sua realização profissional e pessoal.
 
   Por exemplo, no meu caso, pensando apenas pela minha cabeça, vejo como essencial profissionalmente dedicar-me de forma principal à gestão e análise jurisdicional dos processos sob minha atribuição como Juiz Federal do Juizado Especial Federal de Jaraguá do Sul. O essencial para mim é atender da melhor forma possível as pessoas que buscam uma solução para seus problemas jurídicos, no campo de minhas atribuições.
 
   Não quer dizer que profissionalmente meu trabalho seja só esse. Existem diversas outras demandas profissionais que me são apresentadas diariamente, tais como integrar comissões administrativas criadas pelo Tribunal, participar de cursos para aprimoramento dos conhecimentos jurídicos, escrever postagens para o blog “A arte da Excelência”, proferir palestras sobre algum tema jurídico ou de gestão, a convite de alguma entidade, entre outras. Mas a essencialidade do meu trabalho, na minha análise exclusivamente pessoal e desconsiderando o que pensam terceiros, é dedicar-me aos processos sob minha responsabilidade.
 
   Da mesma forma, no plano da realização pessoal, é possível que cada um pergunte a si mesmo, sem a interferência do pensamento dos outros, o que lhe é essencial. Não vou dar um exemplo concreto aqui porque não quero influenciar ninguém. Cada um tem a capacidade de encontrar a sua essencialidade. Podem ser decorrentes de planos materiais, planos espirituais, planos familiares, entre outros. Ou podem ser também decorrentes de alguns planos que combinados levem à realização de cada um como pessoa.
 
   Muito bem, essa percepção daquilo que entendemos como essencial em nossas vidas, a partir exclusivamente dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, nos permite criar um bom ponto de partida para as ações no dia-a-dia. Digo ponto de partida porque no mundo real não é possível viver exclusivamente da forma como pensamos ser a que melhor realiza nossas essencialidades. Vivemos em sociedade. Somos filhos, pais, irmãos, amigos, vizinhos, profissionais, etc. Enfim, exercemos diversos papéis e a partir disso somos cobrados a algumas ações, temos de respeitar limites/deveres e também aceitar responsabilidades.
 
   É esse o segundo enfoque da reflexão sobre a essencialidade das coisas em nossas vidas que quero apresentar na postagem de hoje. Como decorrência dos papéis sociais que exercemos, há aspectos que, apesar de particularmente não considerarmos essenciais para nossa realização pessoal ou profissional, temos de incluir em nossas agendas porque outras pessoas entendem que são essenciais, importantes ou ao menos esperam de nós alguma atuação.
 
   Ou seja, o conhecimento daquilo que é essencial para nós na vida é algo que permite conduzir nossas ações no sentido de realizar aquilo que aspiramos. Essa é a base para podermos tomar decisões acertadas entre fazer ou não fazer algo. Contudo, a consideração da visão externa, do que os outros esperam de nós, também é importante elemento que contribui para o aprimoramento do que vemos como essencial em nossas vidas. Não que tenhamos sempre de fazer algo que esteja totalmente fora de nossas aspirações essenciais. Isso de fato não tem sentido. Ainda mais se for contrário às nossas convicções e valores. Mas há algumas solicitações "externas" que devemos ponderar e aceitar sua realização. Principalmente quando reflexamente beneficiam o resultado daquilo que nos é essencial.
 
   No meu trabalho, que estou usando como exemplo, seria o caso de aceitar participar de alguma comissão ou outra do Tribunal, aceitar alguns convites de palestras, participar de cursos de aperfeiçoamento, escrever postagens para o blog, entre outras atividades que a rigor não fazem parte do que vejo como essencial no campo profissional, mas que na medida certa acabam ajudando na construção de um resultado profissional positivo. A medida certa, no meu modo de ver, é a quantidade que não prejudique o resultado final daquilo que me é essencial e que, ao mesmo tempo, permita o enriquecimento do trabalho desenvolvido, agregrando valor para minha imagem e satisfação profissional.
 
   Na vida pessoal é a mesma coisa. Posso ter minhas essencialidades. Mas também há algumas (ou talvez muitas) demandas que me são apresentadas como filho, pai, amigo, irmão, marido. Nesse ponto é preciso cuidar da essencialidade pessoal. Mas também encontrar espaço para atender aquilo que os outros enxergam como essencial em mim. Na vida pessoal, mais que na profissional, temos uma rede complexa e entrelaçada de essencialidades pessoais. Interessante é que, em geral, apenas quando todas essas essencialidades são atentidas de maneira razoável encontramos um caminho para a satisfação da nossa própria essencialidade. É algo para se pensar, com toda certeza.
 
Um abraço e pratiquem a paz!
 
Emmerson Gazda