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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O que é essencial em sua vida?

 Meus caros:
 
   Uma das coisas mais importantes para podermos alcançar a Excelência é sabermos o que é essencial em nossas vidas. Tanto na vida pessoal, quanto na vida profissional. Em certa medida já falei sobre esse tema em postagens anteriores, mas volto ao assunto porque refletir sobre a essencialidade das coisas é algo que temos de fazer constantemente. Sempre há uma nova abordagem possível, que nos permite uma visão por outros ângulos.
 
   Pois bem, na postagem de hoje quero fazer um convite para pensarmos a questão sob dois enfoques. O primeiro, deixando de lado todas as outras pessoas e concentrando a reflexão apenas naquilo que nós mesmos vemos como essencial em nossas vidas. Esqueça que o mundo existe e pense apenas em si mesmo para fazer uma listagem do que você vê como essencial para sua realização profissional e pessoal.
 
   Por exemplo, no meu caso, pensando apenas pela minha cabeça, vejo como essencial profissionalmente dedicar-me de forma principal à gestão e análise jurisdicional dos processos sob minha atribuição como Juiz Federal do Juizado Especial Federal de Jaraguá do Sul. O essencial para mim é atender da melhor forma possível as pessoas que buscam uma solução para seus problemas jurídicos, no campo de minhas atribuições.
 
   Não quer dizer que profissionalmente meu trabalho seja só esse. Existem diversas outras demandas profissionais que me são apresentadas diariamente, tais como integrar comissões administrativas criadas pelo Tribunal, participar de cursos para aprimoramento dos conhecimentos jurídicos, escrever postagens para o blog “A arte da Excelência”, proferir palestras sobre algum tema jurídico ou de gestão, a convite de alguma entidade, entre outras. Mas a essencialidade do meu trabalho, na minha análise exclusivamente pessoal e desconsiderando o que pensam terceiros, é dedicar-me aos processos sob minha responsabilidade.
 
   Da mesma forma, no plano da realização pessoal, é possível que cada um pergunte a si mesmo, sem a interferência do pensamento dos outros, o que lhe é essencial. Não vou dar um exemplo concreto aqui porque não quero influenciar ninguém. Cada um tem a capacidade de encontrar a sua essencialidade. Podem ser decorrentes de planos materiais, planos espirituais, planos familiares, entre outros. Ou podem ser também decorrentes de alguns planos que combinados levem à realização de cada um como pessoa.
 
   Muito bem, essa percepção daquilo que entendemos como essencial em nossas vidas, a partir exclusivamente dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, nos permite criar um bom ponto de partida para as ações no dia-a-dia. Digo ponto de partida porque no mundo real não é possível viver exclusivamente da forma como pensamos ser a que melhor realiza nossas essencialidades. Vivemos em sociedade. Somos filhos, pais, irmãos, amigos, vizinhos, profissionais, etc. Enfim, exercemos diversos papéis e a partir disso somos cobrados a algumas ações, temos de respeitar limites/deveres e também aceitar responsabilidades.
 
   É esse o segundo enfoque da reflexão sobre a essencialidade das coisas em nossas vidas que quero apresentar na postagem de hoje. Como decorrência dos papéis sociais que exercemos, há aspectos que, apesar de particularmente não considerarmos essenciais para nossa realização pessoal ou profissional, temos de incluir em nossas agendas porque outras pessoas entendem que são essenciais, importantes ou ao menos esperam de nós alguma atuação.
 
   Ou seja, o conhecimento daquilo que é essencial para nós na vida é algo que permite conduzir nossas ações no sentido de realizar aquilo que aspiramos. Essa é a base para podermos tomar decisões acertadas entre fazer ou não fazer algo. Contudo, a consideração da visão externa, do que os outros esperam de nós, também é importante elemento que contribui para o aprimoramento do que vemos como essencial em nossas vidas. Não que tenhamos sempre de fazer algo que esteja totalmente fora de nossas aspirações essenciais. Isso de fato não tem sentido. Ainda mais se for contrário às nossas convicções e valores. Mas há algumas solicitações "externas" que devemos ponderar e aceitar sua realização. Principalmente quando reflexamente beneficiam o resultado daquilo que nos é essencial.
 
   No meu trabalho, que estou usando como exemplo, seria o caso de aceitar participar de alguma comissão ou outra do Tribunal, aceitar alguns convites de palestras, participar de cursos de aperfeiçoamento, escrever postagens para o blog, entre outras atividades que a rigor não fazem parte do que vejo como essencial no campo profissional, mas que na medida certa acabam ajudando na construção de um resultado profissional positivo. A medida certa, no meu modo de ver, é a quantidade que não prejudique o resultado final daquilo que me é essencial e que, ao mesmo tempo, permita o enriquecimento do trabalho desenvolvido, agregrando valor para minha imagem e satisfação profissional.
 
   Na vida pessoal é a mesma coisa. Posso ter minhas essencialidades. Mas também há algumas (ou talvez muitas) demandas que me são apresentadas como filho, pai, amigo, irmão, marido. Nesse ponto é preciso cuidar da essencialidade pessoal. Mas também encontrar espaço para atender aquilo que os outros enxergam como essencial em mim. Na vida pessoal, mais que na profissional, temos uma rede complexa e entrelaçada de essencialidades pessoais. Interessante é que, em geral, apenas quando todas essas essencialidades são atentidas de maneira razoável encontramos um caminho para a satisfação da nossa própria essencialidade. É algo para se pensar, com toda certeza.
 
Um abraço e pratiquem a paz!
 
Emmerson Gazda

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O desafio atual é sempre o mais difícil!

 Meus caros:

   Essa semana estava me lembrando do tempo em que estudei e prestei concurso para a Magistratura Federal. Já se passaram 15 anos desde então (como passa rápido!), mas lembro-me com detalhes do esforço, das dificuldades, das angústias e da necessidade de muito estudo. Lembranças importantes para manter sempre viva a alegria da atividade profissional que realizo hoje, fruto do apoio de muitos e da atitude pessoal que tive em enfrentar algo que parecia inatingível. Ao mesmo tempo, lembranças que volta e meia aproveito como motivação para encarar novos desafios, para acreditar que é possível atingir algo que a primeira vista parece impossível.

   Sim, lembrar das “conquistas” do passado é algo que nos permite encontrar inspiração e disposição para encarar novos desafios. Aliás, muitas disposição, já que inspiração é apenas 1% do problema, como dizia Einstein. O resto é transpiração.

   Quando o assunto é repetição de algo grandioso que algum dia já realizamos, a questão é mais de disposição para transpirar do que inspiração. Porque já sabemos que é possível. Isso é algo positivo porque sabemos que somos capazes de realizar aquele feito. Mas tem o lado negativo: também sabemos o quanto é difícil, o quanto teremos de nos dedicar para tanto. E aí vem aquela preguiça e a dificuldade de encontrar ânimo para atingir mais do mesmo.

   Bernardinho, técnico da seleção brasileira de Vôlei, falou sobre isso certa vez em uma palestra, dizendo o quanto era complicada a missão de manter-se no topo após já terem conquistado todos os títulos possíveis e imagináveis em várias temporadas. A solução que ele encontrou foi de chegar no vestiário da seleção após cada um dos muitos títulos conquistados e já ir avisando que no campeonato seguinte ia ser mais difícil, pois todo mundo ia se preparar ainda mais para ganhar deles. Ou seja, Bernardinho colocava sempre um desafio a mais, um adversário imaginariamente em melhores condições no próximo confronto. E daí surgia a motivação para trabalhar pela vitória de forma contínua.

   Agora, quando o assunto é realizar algo totalmente inédito em nossas vidas a coisa se torna um pouco mais complexa. Porque além da disposição para transpirar, existe muitas vezes a dúvida sobre a inspiração. Quem de nós nunca se perguntou “será que eu consigo?” A dúvida é algo normal e o medo de não conseguir é inerente ao mecanismo da mente humana. O que eles não podem fazer é paralisar nossas ações. Porque aí de fato não vamos a lugar nenhum.

   É nesse momento de dúvida e de medo que eu gosto de olhar para as coisas positivas que consegui fazer no passado. Depois que passa a conquista muita gente vai esquecendo gradativamente como conseguiu chegar tão longe. Até que a conquista se torna apenas uma vaga lembrança.

   A conquista de que falo aqui não necessariamente precisa ser a aprovação em um concurso público difícil ou algo ainda mais grandioso como a conquista de uma Liga Mundial de Vôlei. Podem ser pequenas conquistas, como ter aprendido a tocar violão, ter passado no vestibular, ter conseguido se formar na faculdade mesmo tendo que trabalhar durante o dia todo, ter escalado uma montanha ou mesmo ter feito algo que talvez lhe pareça tão simples hoje, mas que para uma criança é tão complicado: aprender a ler e escrever. 

   A percepção pessoal do “sim, eu posso” é algo que podemos extrair se olharmos para trás e vermos que já vencemos vários desafios que pareciam impossíveis ou difíceis no contexto da época. É algo que nos mostra que temos condições de vencer os desafios que estão na nossa frente. Podemos também usar como aliado mental o fato de outras pessoas já terem conseguido realizar o nosso objetivo, é claro. Mas acima de tudo é importante nossa percepção de que nós somos capazes, de que nós já superamos desafios e por isso podemos ir mais longe. Até porque existem coisas que nunca ninguém fez e nem por isso você não será capaz de fazer. Então temos de nos balizar principalmente por nós mesmos, pela nossa própria capacidade, e não só pela capacidade dos outros.

   É nesse ponto que muitos esbarram novamente na pergunta: “mas será que eu vou conseguir?” E a dúvida vem com justificativa: “porque os desafios do passado eram bem mais fáceis que esse que eu quero superar agora!”

   Para essas indagações eu deixo uma pergunta muito simples: “será que isso é mesmo verdade?” Porque o que tenho notado é que na verdade o desafio atual, o desafio que ainda não superamos, é sempre o que nos parece mais difícil. Mas não necessariamente é o mais difícil de fato. Apenas parece assim porque ainda não o vencemos.

   Quem gosta de jogar videogame sabe que alguns jogos têm fases impossíveis de serem superadas. Impossíveis até que o jogador desenvolve a habilidade e aprende os segredos necessários que tornam a coisa possível.

   No concurso para Juiz Federal lembro que quando estava estudando para a primeira prova, de marcar “x”, achava que essa prova era a mais difícil porque eu não era muito bom em decorar. Se eu passasse nessa fase pensava que o resto seria mais fácil. Depois que fui aprovado nessa prova e comecei a estudar para a prova seguinte, de sentença e descritiva, “percebi” que a prova objetiva, de marcar “x”, era muito fácil perto da dificuldade de fazer uma prova de sentença. E quando cheguei à prova oral passei a ver a prova oral como algo muito mais difícil que o resto do concurso, pela necessidade de mostrar conhecimento em tempo real, saber se expressar em público, ter que controlar a ansiedade, a pressão e ainda estar diante de uma banca com pessoas que sabiam bem mais de Direito que eu. Agora, 15 anos depois, pensando bem, acho que todas as fases do concurso tem sua dificuldade em um nível semelhante. Muda apenas a parte do conhecimento que está sendo avaliado. Mas na época a fase seguinte, o próximo desafio, era sempre mais difícil.

   Enfim, olhar para o sucesso do passado como um elemento de motivação para conseguir superar novos desafios é algo importante nos momentos de dúvida sobre nossa capacidade de atingir novos objetivos. Podemos daí extrair a certeza de que já fizemos muito e podemos realizar ainda mais. Basta iniciar o processo de transpiração e trabalhar firme, olhando para o sucesso do passado como um elemento de motivação para construir um sucesso ainda maior.

Um grande abraço,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Você sabe criticar de forma construtiva?

 Meus caros:
   
   Uma das orientações mais comuns em termos de relações profissionais e pessoais é que as críticas devem sempre ser construtivas. O problema é que essa orientação dificilmente vem acompanhada de dicas sobre como fazer uma crítica construtiva. Em geral o que nos dizem é que não se deve criticar por criticar. Mas isso não basta para chegarmos à crítica construtiva. 

   Por não saber como fazer uma crítica construtiva muitos simplesmente deixam de criticar. Limitam-se a aceitar a segurança de não emitir opinião. Contudo, se com medo de não estarmos sendo construtivos, simplesmente deixamos de apontar os pontos que precisam de melhoria, corremos o sério risco de perder nosso espírito crítico, elemento fundamental em qualquer relação pessoal ou profissional. A falta de espírito crítico leva, com o tempo, a uma posição de indiferença. E da indiferença para a falta de comprometimento e de motivação é um passo rápido. É importante, portanto, conservar o espírito crítico. 

   Mas para não nos tornarmos os “chatos” que estão sempre reclamando e apontando erros é importante saber criticar. Para isso primeiro de tudo devemos encontrar um ponto de equilíbrio entre criticar ou não criticar, conforme a situação. Equilíbrio é o passo inicial para um crítica construtiva. Quer dizer, antes de emitir opinião sobre o acerto ou erro de algo é importante ponderar internamente, consigo mesmo, sobre o que foi feito. Quais foram as virtudes e quais as falhas. Ao pensar no que não deu certo é interessante ter o cuidado de avaliar até que ponto as falhas eram evitáveis. Por fim, ainda nessa fase inicial de reflexão interna, deve-se considerar que, na análise da situação ou fato a ser criticado, é preciso olhar para o passado com os olhos no futuro. Quer dizer, se algo deu errado ou não está bom, a crítica construtiva procura sempre possibilidades de melhoria, para que a partir de medidas no presente, o futuro se torne melhor. Diferente da crítica pela crítica, que apenas se preocupa em dizer que está tudo errado. Ao mesmo tempo a preocupação maior da crítica construtiva não é encontrar culpados ou responsáveis. O que se procura é como resolver o problema. Nesse contexto é que surge a responsabilidade de cada um, cobrada com vistas a que atuem melhor no futuro. 

   Essa visão do objeto a ser criticado como algo a ser melhorado, sem foco nas pessoas e sim no problema, é um dos pontos centrais da crítica construtiva. Quer dizer, a crítica construtiva não é focada em achar culpados e erros. É focada em encontrar soluções para resolver os erros e melhorar o que se fez nas oportunidades futuras. 

   Pois bem, depois de toda essa reflexão inicial podemos concluir que, afinal, o resultado do que foi ou está sendo feito é positivo e não são necessários ajustes para o futuro. Nesse caso a crítica eventualmente perde sua razão de ser. Pode ser o caso, até, de emitir um elogio, no curso do qual podemos inserir sugestões de como deixar as coisas ainda melhor. 

   Contudo, se constatamos que existem pontos de melhoria, então há espaço para uma crítica construtiva. Nesse caso o passo seguinte é emitir a crítica. Esse é um momento delicado, por mais que estejamos focados em ser construtivos. Afinal ninguém gosta de receber uma crítica. Por mais preparada que a pessoa esteja para isso, sempre é algo desconfortável. Então quem vai emitir a crítica, mesmo com o objetivo sincero de apenas ajudar na melhoria do que está sendo feito, deve ter em mente que é preciso ter cautela e sensibilidade ao falar. As palavras são muito facilmente compreendidas de forma errada e isso pode gerar desentendimentos. Por isso uma boa estratégia, ao emitir uma crítica construtiva, é utilizar o modelo semelhante ao do feedback. Já falamos sobre como dar feedback aqui no blog na postagem, razão pela qual não vou voltar ao assunto em detalhes (clique para ler). Mas a regra básica para estabelecer uma boa comunicação aqui é, primeiro de tudo, perguntar se há interesse em receber uma crítica construtiva. Caso positivo, iniciar a crítica ressaltando os pontos positivos do que foi ou está sendo feito. Em geral nada é tão ruim que não tenha pontos positivos. Nem que seja a boa vontade dos executores. Destacados os pontos positivos, a hora é de apontar o que precisa ser melhorado, o que não está sendo bem feito. Aqui o enfoque em olhar para o futuro é importante porque dará a quem recebe a crítica a visão de que a intenção é efetivamente contribuir para um resultado melhor. 

   Por fim, ainda dentro desse momento de emitir a crítica, após indicar o que se entende que poderia ser feito melhor, há um amplo espaço para que se apresentem sugestões de como as coisas poderiam ser feitas. Oferecer ajuda para implementar alguma das sugestões, mesmo que seja apenas quanto à discussão de ideias, é algo interessante para ressaltar a construtividade da crítica.

   Enfim, penso que ao fazermos uma crítica nesses moldes estamos fazendo uma crítica construtiva. Mais que isso: estamos fazendo com que seja compreendido o objetivo de melhoria, o que também é importante. Muitas críticas construtivas e sinceras acabam sem receber o devido valor porque mal compreendidas pelos destinatários. Então ter o cuidado de fazer a crítica de uma maneira cordial pode ser tão importante como perceber a necessidade de melhoria. E não tenho dúvida que uma crítica construtiva feita com cuidado quanto a sua compreensão tem maior potencial de gerar efeitos concretos para o futuro.

   Para encerrar a postagem gostaria de trazer um exemplo interessante de como a questão da crítica é complexa. Certa vez meus pais viajaram com um grupo de coral para uma excursão de fim de ano. Um dos integrantes do grupo foi o responsável por organizar a questão de ônibus, hotel, alimentação e arrecadar os valores necessários para o passeio. Ao final, já no retorno, ele pediu a palavra, agradeceu a todos pela colaboração e disse o seguinte: “críticas à organização do passeio são muito bem vindas; peço, entretanto, para podermos pensar em melhorar para passeios futuros, que as críticas sejam feitas por escrito e com 3 sugestões de como poderia ser feito melhor do que foi feito; e em uma das 3 sugestões quem fizer a crítica deve se prontificar a ajudar na execução”. Resultado: nenhuma crítica foi recebida. 

   Quando meu pai relatou-me essa abordagem inicialmente pensei que era uma boa forma de evitar críticas, já que ao formalizar a necessidade de crítica, pedir sugestões e participação do crítico seria difícil alguém dizer alguma coisa. Contudo, pensando melhor sobre o assunto, concluí que essa é uma forma interessante de pedir críticas construtivas sobre qualquer coisa que se faça. Para quem está na liderança de um projeto pode ser uma boa maneira de fazer com que se reduzam as críticas vazias, fomentando a participação daqueles que tem boas ideias e querem ajudar. Já para quem vai fazer uma crítica é uma guia rápido de como pensar em fazê-la de forma construtiva: (i) refletir previamente; (ii) apresentar sugestões de melhoria; (iii) comprometendo-se em ajudar. 

   Enfim, meus caros, criticar sem consequências é algo fácil de fazer. Já criticar de forma construtiva é uma habilidade a ser desenvolvida. A pessoa que sabe apenas criticar dificilmente gera resultados positivos. A parte boa da crítica se perde nos sentimentos de divergências gerados. Já quem sabe fazer críticas construtivas leva todos ao caminho do comprometimento e da motivação por melhores resultados. Essa pessoa certamente tem grande valor, tanto na vida profissional, quanto nas relações pessoais. 

Um abraço, 

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Viver é correr riscos?

 Meus caros:

   Atribui-se a Sêneca, famoso orador e filósofo romano, um texto bastante interessante que tempos atrás circulou pela minha internet: “Rir é correr o risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Estender a mão é correr o risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu. Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre!

   Logo que li esse texto lembrei-me de uma frase atribuída a Peter Drucker, expoente da moderna teoria da Administração, que li em algum lugar em meu estudos de gerenciais. Era mais ou menos assim: “Existem os riscos que não devemos jamais correr e os riscos que não podemos nunca deixar de correr”. 

   Quer dizer, se olharmos para o que Sêneca dizia, correr riscos é de suma importância para construir uma vida plena de realizações pessoais e profissionais. De outro, Drucker faz uma advertência importante: há riscos que devemos correr, mas riscos que não devemos correr. Ou seja, de fato, viver é correr riscos. Em regra não se vai a lugar algum sem que se corram riscos. Sêneca resumiu muito bem isso aplicado a uma ampla gama de situações da vida. 

   A questão é que a partir do momento em que percebemos que ao ir atrás dos nossos sonhos e realizações temos de correr alguns riscos, torna-se também importante pensar na prevenção dos riscos, na análise dos riscos que valem a pena correr e dos riscos que não fazem qualquer sentido assumirmos. 

   Venho pensando sobre esse assunto há algum tempo e a cada nova notícia de tragédias provocadas pela falta de medidas eficientes de prevenção tenho constatado que vivemos em uma sociedade que não se preocupa em fazer análise de risco. Quer dizer, não temos a cultura da prevenção e aí corremos riscos desnecessários. 

   Da mesma forma que viver é correr risco, temos de pensar que viver também é tomar medidas de prevenção contra esses riscos. Toda atividade que fazemos envolve um risco, por mais simples que ela seja. Ao levantar da cama pela manhã, por exemplo, podemos lesionar a coluna. Ao sair de casa para o trabalho podemos sofrer algum tipo de acidente, com maior risco dependendo do meio de transporte utilizado. E assim por diante. Mesmo ficar em casa deitado na cama apresenta algum tipo de risco. A casa pode desabar, um avião pode cair sobre ela, ou seja, nem mesmo ficar em casa nos livra de todo e qualquer risco. 

   Enfim, é impossível evitar de forma absoluta o risco que corremos por estar vivos. Contudo podemos e devemos trabalhar em cima da prevenção para diminuir os riscos e evitar que o pior aconteça. É importante colocarmos isso em nossa cultura pessoal e familiar diária. Não como uma forma de deixar de lado aquilo que gostamos de fazer, aquilo que dá sentido às nossas vidas. Mas para que possamos fazer isso da forma mais segura possível. Repensar se vale mesmo a pena uma atividade de lazer de alto risco até pode ser algo a considerar. Mas se essa atividade for realmente essencial, então é preciso ao menos fazê-la com toda a prevenção disponível.

   Quer dizer, ninguém vai deixar de levantar pela manhã para ir trabalhar porque pode lesionar as costas. Mas todos podemos aprender que antes de levantar pela manhã, na cama mesmo, é possível fazer um rápido alongamento e depois levantar de lado, que é bem menos agressivo para a coluna. Da mesma forma, podemos continuar a andar de carro, mas tendo a máxima atenção na condução, usando cinto de segurança, botando as crianças na cadeirinha e não bebendo antes de dirigir. E por aí vai. São muitas situações da vida diária em que fazemos as coisas sem pensar na prevenção. Lembro que quando me casei, por exemplo, em nenhum momento me preocupei em ver se o local do casamento tinha sistema adequado de prevenção de incêndio. Na cultura da prevenção teria visto isso, pensando na segurança dos convidados, ainda que não fosse minha responsabilidade legal.

   Além dessas situações de risco à vida e integridade física, existem mecanismos de prevenção importantes a serem usados nos mais diversos segmentos da vida. Prevenção de conflitos no trabalho mediante maior abertura para o diálogo. Prevenção dos riscos à saúde com a realização de exames periódicos, boa alimentação e prática regular de exercícios físicos moderados. Prevenção de desintegração da família com maior participação na vida dos filhos. Prevenção à sanidade mental com realização de atividades que confiram sentido à vida. Prevenção ao esgotamento pelo estresse mediante a adoção de práticas de equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Prevenção financeira mediante um planejamento dos gastos pessoais adequado à capacidade econômica. Entre outras prevenções que poderiam ser listadas. Esses são apenas alguns exemplos. 

   Meus caros, o que quero dizer com a postagem de hoje é que viver de fato é correr riscos. E não conseguimos realizar nossos sonhos e objetivos sem que isso aconteça. Faz parte da vida. Contudo não podemos desconsiderar a importância de adotar medidas de prevenção quanto aos riscos que vamos ter que correr na vida. Isso é fundamental. Não elimina a possibilidade de dissabores, até porque nem sempre a prevenção pessoal é suficiente. Muitas vezes dependemos de terceiros não tão preocupados com a prevenção, mesmo quando têm responsabilidade legal nesse sentido. De qualquer forma a cultura da prevenção pessoal ajuda bastante a diminuir a probabilidade dos resultados não desejados. E com isso conseguimos equilibrar Sêneca e Drucker, correndo os riscos que precisam ser corridos para viver uma vida plena e evitando os riscos que não precisam ser corridos. Nem sempre a gente vai conseguir. Mas é importante sempre tentar. 

Um abraço,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com