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sexta-feira, 31 de março de 2017

É possível se prevenir contra riscos futuros da aposentadoria pública?

 Meus caros:

   Estive hoje em Curitiba participando de um colóquio sobre a reforma da Previdência Social. O evento foi na sede da Justiça Federal do Ahú e tive a oportunidade de apresentar algumas reflexões sobre cenários futuros da previdência pública, em especial do regime de previdência dos servidores públicos federais. 
   
   O foco da minha abordagem não foi a proposta de reforma que está em debate no Congresso, ainda que ela tenha servido de base para uma percepção daquilo que o Poder Público está entendendo como necessário para acabar com o déficit da previdência. O que procurei trazer foi uma reflexão baseada em evidências econômicas (não em teses jurídicas), tentando antecipar cenários e pensando a longo prazo (10, 20, 30 anos para frente).

   O objetivo, com essa tentativa de visão além do que está mais palpável aos nossos olhos, foi apresentar algumas preocupações sobre como a situação pode se tornar difícil mais adiante nas finanças individuais de cada um, se não houver escolhas atuais que mitiguem os riscos decorrentes do que possa acontecer no futuro. 

   É claro que qualquer abordagem que busque antecipar cenários a longo prazo terá boas chances de errar em muitos pontos. Mas em termos de precaução quanto a cenários econômicos futuros ruins, o risco que existe se você tomar as cautelas necessárias será ter uma sobra de recursos mais adiante se as coisas forem melhores do que o esperado. Agora, se os cenários ruins acontecerem, e você não se prevenir, aí não terá muito o que fazer na hora em que mais vai precisar de disponibilidade financeira, ou seja, quando tiver mais idade. 

   Infelizmente minhas reflexões não trazem notícias muito boas. Temos uma ausência de segurança econômica e isso traz uma insegurança jurídica, posto que na história, em um conflito sério e real entre econômico e jurídico, o viés econômico acabou em regra prevalecendo. 

   É claro que coletivamente cada grupo tem lutado para defender seus direitos e tentar achar soluções para que não seja necessária a redução de direitos. Há teses jurídicas que mostram que não há deficit da previdência, por exemplo. Outras que mostram soluções diferentes que poderiam ser adotadas. Mas do lado econômico há muitas pessoas sustentando que o déficit é real. 

   Quem está com a razão? Essa a reflexão que cada um de nós precisa fazer para definir o que vai fazer em termos de prevenção individual contra os riscos do que pode vir pela frente. Particularmente eu concordo, do ponto de vista jurídico, com muitas das teses jurídicas que são defendidas quanto à questão. Mas também vejo fundamento econômico em muitas teses econômicas sobre o assunto. Por isso, como estou falando em prevenção contra riscos futuros, considero relevante não nos filiarmos a uma corrente ou outra, mas sim olhar para o pior cenário que tenha razoabilidade e tentar evitar os riscos dele decorrente.

   Ou seja, quando falamos em prevenção contra riscos futuros não podemos definir que algo está certo e esquecer as outras possibilidades por complete. Temos que considerar todas as possibilidades que tenham alguma probabilidade razoável de estarem corretas (ou seja, previsões de futuro com chances de estarem certas) e tomar as cautelas necessárias a partir dos cenários mais desfavoráveis. Se você estiver preparado para o pior, estará bem em qualquer situação. É a aplicação de um antigo ditado militar: "ore para a paz, mas esteja preparado para a guerra". 

   Muito bem, nesse contexto o que podemos fazer individualmente, como servidores públicos (e também vale em alguns aspectos para a iniciativa privada) para nos prevenirmos contra os riscos futuros da previdência pública, considerando o cenário ruim traçado por muitos economistas, de que o déficit previdenciário continuará crescendo, mesmo com a reforma proposta? 

   Basicamente são três coisas que podemos fazer: i) poupar, fazendo uma reserva para o futuro (essencial em todos os casos); ii) adotar uma postura diferente em termos de administração das finanças pessoais, abandonando a ideia corrente de que o servidor público tem uma boa aposentadoria garantida (os cenários futuros mostram grande risco quanto a isso); iii) analisar a possibilidade de opção incentivada trazida pela Lei n. 12.618/12, quanto a desde logo deixar o regime da integralidade e ficar com benefício vinculado ao teto do INSS (pagando também contribuição apenas pelo teto do INSS). 

   Para quem se interessar em analisar com mais detalhes a reflexão que faço sobre o assunto elaborei um texto um pouco mais longo, no qual apresento minha visão sobre a questão. O texto aborda o assunto a partir do paradigma da Magistratura Federal, que era o público-alvo do evento de hoje. Contudo permite reflexão para todos os que estão na carreira pública, em especial os que estão na área federal e com perspectiva atual de aposentadoria integral acima do teto do INSS. Caso seja de seu interesse clique aqui para visualizar o artigo completo em PDF. O objetivo não é lhe convencer de nada, mas apenas que possa refletir e pensar criticamente sobre os assuntos tratados. 

   Para os que não se interessarem por uma análise mais aprofundada do assunto o que quero deixar da presente postagem é a ideia de que devemos sempre tentar olhar mais adiante para podermos fazer boas escolhas a longo prazo. O olhar além do alvo é o que pode fazer a diferença entre o ser bom e o ser genial, como diria Schopenhauer. 

Um abraço,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

sábado, 8 de outubro de 2016

Como educar os filhos com amor?

 Meus caros: 

   Nossos filhos não são nossos, são do mundo. Quem de nós nunca ouviu essa afirmação? Mas você já parou para pensar se concorda com ela? Confesso que era meio reticente em aceitá-la. Sempre pensei o seguinte: “Ana é minha filha e se seu eu criá-la com todo amor e carinho ela sempre vai querer ser minha”. Até que no último final de semana participei de um retiro de casais com o tema criando filhos. A experiência foi muito boa. Os ministrantes, Valdir Steuernagel, pastor luterano, e sua esposa, Silêda Steuernagel, residentes em Curitiba-PR, contaram, entre outras coisas, sobre os 4 filhos deles, hoje já maiores de idade, casados e vivendo cada um em uma parte diferente do mundo.

   Aí caiu a ficha e compreendi o significado de “os filhos são do mundo”. Realmente minha filha nunca deixará de ser minha amada Ana Carolina. Mas ela será do mundo. Ela vai crescer (aliás, já está crescendo), vai assumir a direção de sua própria vida (aliás, já faz isso em alguma medida), vai seguir seus próprios caminhos, fazer suas escolhas (que não necessariamente eu vou achar boas escolhas), talvez ter sua própria família, quem sabe filhos e por aí seguirá. Tudo sem que eu possa sequer escolher o genro.

   De fato não há nada que eu possa fazer para evitar isso. Mais importante: não há nada que eu deva fazer para evitar isso. Pelo contrário, o que me cabe como pai é incentivar essa autonomia, é educá-la para criar independência e estar preparada para enfrentar todas as dificuldades que as escolhas dela trarão, de forma que seja possível a ela encontrar o sentido de sua vida e colher bons frutos na jornada.

   Não se deve confundir isso com educar o filho para que ele seja o que eu penso que ele deve ser e fazer. Isso até funcionou no passado em algum momento, mas no mundo de hoje traz um espaço imenso para frustração de ambas as partes (tanto do pai, quanto do filho). O que é preciso é educar o filho para que ele possa ter o melhor ferramental possível que lhe permita ser e fazer o que quiser na vida (não só profissionalmente, mas especialmente como ser humano, como pessoa). É difícil, como pai que ama sua filha, aceitar de forma tão precoce essa separação. Mas no fim é a única opção que tenho porque, eu querendo ou não, minha filha vai ser e fazer o que ela quiser. Mesmo que eu como pai queira escolhas diferentes.

   Essa constatação não significa, contudo, o esvaziamento de nossa importância como pais. Pelo contrário. Aumenta a nossa responsabilidade na criação dos filhos. Isso porque o único momento que temos para de alguma forma influenciar positivamente (ou negativamente) o futuro de nossos filhos é o momento atual, enquanto eles ainda são pequenos. E não é pouco poder de influência, considerando que, desde Freud, evidencia-se que experiências vividas na infância, da concepção até por volta dos 12 anos de idade, acompanham a pessoa pelo resto da vida dela. Então, ainda que não se possa falar em um determinismo, é possível afirmar que a educação que cada um der para seu filho vai ser uma diretriz que estará, de alguma forma, influenciando o filho por toda a sua vida.

   Pois bem, essa percepção de como o momento atual é importante e como nós, como pais, temos um papel determinante no futuro de nossos filhos é algo que nos coloca em certo conflito com a sociedade atual, que gosta muito de terceirizar e delegar as coisas, inclusive a educação dos filhos. Por isso nesse ponto temos uma escolha essencial a fazer: vamos assumir o protagonismo na educação dos nossos filhos ou vamos usar o modelo pronto de terceirizar para babá, creche, escola, avós, professores, ministério infantil (na formação espiritual), colônias de férias, entre outras possibilidades de repassarmos a educação dos filhos a terceiros? O resultado dessa escolha é fundamental para definir quem e o que nossos filhos vão buscar no futuro quando precisarem de ajuda. Não quero dizer com isso que babá, escola, avós, ministério infantil e professores não sejam importantes. São elementos chave em um mundo como o nosso em que, via de regra, pai e mãe precisam trabalhar o dia todo para ter o sustento da família. Mas essas pessoas e instituições devem ser nossos auxiliares. O protagonismo precisa ser dos pais (se essa for a sua escolha). Precisa ser de cada mãe e cada pai em relação a seus filhos.

   Visto isso, a questão agora é saber como vamos fazer para exercer esse protagonismo na educação dos nossos filhos? Essa é uma boa pergunta e evidente que não há uma resposta pronta para ela. Mas existe uma palavra fundamental aqui para mim que é “relacionamento”. Precisamos construir um relacionamento sincero, amoroso e presencial com nossos filhos, no qual eles saibam que nós somos os pais e por isso conduzimos as coisas nesse momento, mas ao mesmo tempo saibam que nós os amamos, que podem contar conosco para o que precisarem, que estamos aqui para ajudá-los e que, na medida em que forem crescendo, daremos mais espaço para eles poderem abrir suas asas e voarem.

   É fácil perceber que tudo isso não se constrói de outra forma que não através da convivência diária, com o estar juntos. Especialmente porque a criança aprende muito por imitação. Para a criança, no início de sua vida, os pais (ou quem estiver nesse papel) são tudo. Ao ponto da Ana Carolina dizer outro dia que só iria na apresentação da aula de dança se a gente pudesse ir assistir. Porque para ela o teatro podia estar cheio, mas o que importava mesmo era a mãe e o pai assistindo. Esse é o público importante para ela. Então precisamos conviver com nossos filhos para ensinar, para educar. Não dá para substituir isso por presentes e mimos porque presentes e mimos não ensinam nada. Apenas atestam a ausência.

   Agora, tem um problema nisso da importância dos pais assumirem o protagonismo na educação dos filhos. O problema é que se pai e mãe forem vazios de valores e espiritualidade, se a vida da família não for harmoniosa e positiva, se não houver coisas boas e de qualidade dentro de casa, os filhos vão aprender isso. Ou seja, não vai adiantar nada porque o resultado com o protagonismo não será bom. Então não basta estar presente. É preciso que estejamos alimentados com um bom conteúdo e que tenhamos uma vida coerente com esse conteúdo para passar para nossos filhos.

   Por isso que, para quem acredita em Deus, antes dos filhos deve estar, em primeiro lugar, a espiritualidade. Deus é o ponto de partida. Ele é a força para a caminhada e especialmente o conteúdo que os filhos precisam conhecer (através de  ações concretas dos pais coerentes com os valores que querem passar aos filhos). Para quem não tem nenhuma crença espiritual penso que é preciso também buscar valores e algum alicerce que possa sustentar a família além das coisas materiais. O imaterial é que alicerça a vida, a meu ver.

   Interessante observar, nesse ponto, que depois de Deus (ou do fundamento imaterial para quem não tem fé) deve vir o casal. Só depois do casal temos os filhos. Isso porque o casal precisa ter uma vida prazerosa e harmoniosa (mesmo divergindo em alguns pontos) para conseguir transmitir pelo modo de agir (lembre-se que o aprendizado é por imitação) o que os filhos precisam aprender. Além disso, o casal não pode esquecer que depois dos filhos partirem para o mundo a ideia é que continuem juntos, animados pela riqueza que a experiência da criação dos filhos lhes trouxe. O casal (no mundo ideal) existia antes dos filhos. O objetivo é que continue a existir durante e também depois dos filhos (aqui já no mundo real). Essa é a meta, diriam os gestores. Nem sempre é possível, mas é o plano e muitas vezes a impossibilidade surge porque as pessoas se esquecem de manter o investimento no relacionamento, colocando os filhos acima do casal.  Por incrível que pareça isso é caminho certo para prejudicar as duas coisas: casamento e educação dos filhos, já que uma separação dos pais no meio do caminho sempre afeta o relacionamento com os filhos.

   Nesse contexto, uma coisa que assume grande importância é a questão da definição dos limites. Todos já ouvimos que a criança precisa e pede limites e que é papel dos pais definirem os limites. De fato, a criança pede limites e cabe aos pais definir os limites. Acho que não preciso falar mais sobre isso, certo? Todos já sabemos que deve ser assim.

   Bem, infelizmente não dá para encerrar o assunto de forma assim tão simples. A gente sabe o que tem que fazer. Mas o difícil não é saber, é fazer. Normalmente o que se pensa é que definir limite é dizer o que pode e o que não pode. Estabelecemos os combinados e os castigos. Se fizer o que não pode incide o castigo. Para quem é da área jurídica dá para dizer que isso é como direito penal. As regras são essas, descumpriu aplica-se a pena tal. O problema é que basta estudar um mês de direito penal na faculdade para aprender que o direito penal não é eficiente para combater a criminalidade. A certeza da punição no máximo gera o medo e por medo de ser preso, ou seja, por meio da repressão, a pessoa não comete o ilícito. Mas se ela tiver oportunidade de fazer a coisa sem risco de ser presa (ou seja, quando a criança crescer) aí não há garantia de cumprimento das regras impostas. Então é claro para mim que fixar limites é bem mais do que estabelecer regras, combinados e castigos (ainda que em alguns momentos isso seja útil e necessário, como veremos mais adiante).

   Para compreender a amplitude dessa questão precisamos primeiro entender o que é limite. Limite é algo que estabelece uma separação entre dois espaços. Que espaços? Se usar o modelo do direito penal seria o espaço entre o que pode e o que não pode. Contudo quando falamos em relacionamento de confiança como forma de educação dos filhos precisamos ter em conta que nenhum relacionamento baseado no envolvimento emocional tem sucesso com a definição do que pode e do que não pode ser feito.  Isso funciona bem  em relações de autoridade, na qual um manda e o outro obedece. Se adotado o modelo de autoridade com os filhos pode até dar certo no início, quando as crianças são pequenas e a gente consegue fazer elas ficarem sentadas magicamente no “cantinho da disciplina”. Mas na medida em que a criança cresce chegam tempos mais complexos em que imposição já não funciona mais. Aliás, há tempos tão complexos que às vezes nada funciona mais, especialmente se não houve a construção de um vínculo emocional com o filho. Os limites, portanto, não podem ser impostos porque para eles funcionarem a longo prazo precisam ser plantados como sementes no coração da criança, de forma que quando ela crescer os limites não serão mais nossos como pais, mas dela mesma como pessoa.

   Nesse contexto, portanto, definir limites dentro de um conceito de relacionamento com os filhos não é dizer pode e não pode. É muito mais do que isso. É delimitar dois espaços. Um primeiro espaço de liberdade, no qual a criança pode agir de acordo com suas próprias vontades, sem riscos além dos próprios da natureza de ser uma criança. Outro, um espaço de não-liberdade, em que há elementos concretos e/ou de risco que não permitem que a criança atue livremente ali. Não é um espaço no qual a criança não possa ir necessariamente. Mas para ir lá pode precisar estar acompanhado dos pais, pode precisar de autorização ou mesmo pode ser um espaço proibido por conta da idade dela. O essencial, contudo, é que a criança, de forma simples, entenda a razão da ausência de liberdade nesse espaço para que vá adquirindo a competência de, no futuro, ela também poder olhar para uma nova possibilidade em sua vida e conseguir fazer a escolha dela mesma. Na medida em que a criança vai crescendo os limites da liberdade devem ir crescendo até que ela atinja a maturidade para fazer suas próprias escolhas e aí terá como fazer boas escolhas. Haverá um limite dentro dela construído ao longo da vida. Não que ela não possa passar esse limite. Mas saberá que deverá analisar bem se é uma boa ideia ir além. Não deixará, por exemplo, de experimentar drogas porque o pai disse que é proibido e pelo medo da reprimenda dos pais. Mas porque terá dentro de si a capacidade de saber que as drogas são um caminho tortuoso, difícil, de muito sofrimento e muitas vezes sem volta.

   Por isso tudo que definir os limites é importante. De outro lado, pela necessidade dos limites serem construídos na forma de espaços de liberdade e não liberdade, dentro de um relacionamento de confiança e coerência, é que cabe aos pais a tarefa de ir construindo e ampliando os limites junto com os filhos. Pois no fim das contas só os pais (ou quem lhes faça as vezes) podem ter esse relacionamento sólido, verdadeiro, continuado e de confiança com os filhos. Um relacionamento que permite aos filhos irem sabendo o que podem fazer, quando podem fazer e com quem podem contar para isso. Aliás, é na rotina do dia-a-dia que se estabelecem os limites. Por isso que para as crianças ter rotina é muito importante (para os adultos também, ainda que o mercado do consumo de experiências de vida venda o contrário). No começo os limites são pequenos. Começa por ensinar, por exemplo, que a noite foi feita para dormir. Depois vem o compartilhar, o obedecer, ajudar em pequenas tarefas da casa, respeitar os outros, dizer as palavrinhas mágicas, fazer o dever de casa e assim vão aumentando as responsabilidades na medida que o espaço de liberdade vai ficando maior. Até o momento em que o filho, já crescido, tem as competências necessárias para voar sozinho, com os limites já dentro de seu coração.

   Pois bem, muito bonito tudo isso. Mas alguém pode dizer que o mundo real é diferente disso. Que esse negócio de relacionamento é muito complicado, difícil e não funciona porque a gente não tem tempo para isso e tem horas que não adianta conversar, o que funciona mesmo é uma boa palmada, uma reprimenda em alto e bom som, com a imposição do castigo e fim. Quem sou eu para discordar disso, ainda mais quando a pessoa apresenta resultados concretos. Agora, o que eu fico me perguntando: será que isso resolve realmente no médio e longo prazo? E principalmente: a que custo? É claro que há momentos nos quais você precisa ser assertivo e as vezes até mais duro com o filho, momentos nos quais a criança pede uma ação mais enérgica. Enfim, há momentos em que é preciso ser assertivo, que a reprimenda mais dura precisa existir. Mas registro algo importante: gritar e bater não vejo que seja bom em momento algum. Dizem que quando um casal briga precisam gritar um com o outro porque os corações estão tão afastados que não conseguem ouvir o que se está dizendo. Na educação de uma criança se os corações estiverem afastados não vai adiantar gritar e bater. É melhor a gente se acalmar antes, aproximar-se e ser duro depois, se necessário, mas com ternura. Quando necessário é cabível aplicar o modelo do castigo, o modelo da autoridade. Mas sempre sem perder o carinho e o afeto. E sem abusar desse modelo.

   Stephen Covey, no livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, fala de uma coisa que ele chama de conta bancária emocional. Nos relacionamentos essas contas são automaticamente criadas e basicamente eu devo depositar valores nessa conta, quer dizer, fazer coisas emocionalmente boas para a pessoa com a qual me relaciono. Para ter um relacionamento saudável e feliz o que devo fazer é sacar menos do que deposito. No casamento, por exemplo, brinco que os homens devem sacar no máximo 10% do que depositam se querem ter alguma chance de felicidade. Mas não se animem muito as mulheres, pois seu limite de saque também é pequeno e não deve passar de 30%. Brincadeiras à parte, o fato é que os depósitos devem superar em muito os saques para o relacionamento ser positivo porque ninguém se relaciona com os outros para apenas empatar. Queremos muito mais do que um empate em nossas vidas emocionais. E nossos filhos também são seres humanos e por isso existe uma conta bancária emocional nossa com eles. Então temos de depositar amor, carinho, presença, enfim, coisas boas emocionalmente, para que quando precisarmos fazer um saque, ou seja, sermos duros e autoritários, termos créditos. E devemos sacar bem menos do que depositamos porque não há relacionamento saudável e feliz sem um bom saldo positivo na conta bancária emocional. Então vamos ser duros quando é necessário. Vamos ser pais que as vezes precisam exercer a autoridade. Mas vamos também amar nossos filhos, de forma que o saldo negativo na conta bancária emocional não faça com que eles se afastem de nós no longo prazo.  Até porque não podemos esquecer que como pais vamos errar muitas vezes. É natural que isso aconteça. Somos humanos. Cada erro é um saque na conta bancária emocional. Então precisamos de créditos também para os erros. Lembrando que um pedido de desculpas nesses casos, além de ser um ensinamento aos filhos,  pode significar um depósito.

   Para concluir esse artigo eu quero dizer, ainda, que cada pessoa nasce diferente na forma física. Essa mesma diferença física existe no plano emocional. Cada criança nasce emocionalmente diferente da outra. Pela teoria dos tipos psicológicos existem pelo menos 16 tipos psicológicos básicos diferentes de pessoas. A psicologia mostra que cada um desses diferentes tipos psicológicos tem preferências distintas na forma de ver e viver a vida. Então nossos filhos podem parecer conosco, mas são diferentes, tanto física, quanto emocionalmente. Dois filhos podem ser parecidos, mas à exceção dos gêmeos iguais, eles são diferentes na genética emocional (então atenção porque nem sempre o que funciona para um filho funciona para o outro). Quando uma criança nasce esse conteúdo genético emocional único dela não está preenchido com nenhuma experiência. É como se fosse um copo vazio. Até mais ou menos os 12 anos de idade esse copo é preenchido quase que totalmente pelas experiências que ela vai passar, em ciclos de importância até os 2, 7 e 12 anos de idade, segundo alguns estudos importantes de psicologia.

   O certo, meus caros, é que de alguma forma esse copo vai ser preenchido, quer queiramos ou não, quer participemos disso ou não. O que coloco, assim, a título de conclusão final, diante de tudo o que foi dito, são 3 perguntas para reflexão: 1) Quem você quer que preencha o copo emocional de seus filhos? 2) Com que conteúdo você quer que seja preenchido? 3) De que forma você quer que seja preenchido?  Da resposta a essas 3 perguntas depende a escolha que você vai fazer e as ações que precisa adotar para bem educar seus filhos.

   A resposta é evidentemente pessoal, mas eu gostaria de pedir licença para compartilhar minhas respostas nessa mensagem, dentro daquilo que acredito e que me move. Respeito os que pensam diferente, que acreditam diferente. O objetivo não é convencer ninguém, apenas compartilhar. Nesse contexto, para a primeira pergunta, sempre disse que quem eu gostaria que preenchesse o copo emocional da minha filha seriam “minha esposa e eu”. Até que no retiro que mencionei no início o pastor Valdir disse o seguinte: “educar um filho com valores espirituais não garante nada em termos do futuro dele; a única garantia é a graça de Deus”. Fiquei pensando sobre isso e parece-me que ele tem razão. Mesmo fazendo tudo certo na educação da minha filha não há garantia nenhuma que não irá fazer escolhas que a levarão para caminhos tortuosos. A vida é muito complexa para fazermos sempre as escolhas certas, mesmo tendo bem definido dentro de nós os limites dos valores nos quais acreditamos. Somos facilmente influenciáveis pelos outros, pelo momento da vida, por alguma desilusão, enfim, por uma série de circunstâncias e situações. As vezes um minuto de bobeira pode ser suficiente para um bom tempo de sofrimento. Nossos filhos não estão imunes a isso. São também humanos. Por isso mudei minha resposta inicial para a primeira questão. Hoje quem eu quero que preencha o copinho emocional da minha filha é Deus, através da minha esposa e de mim. Mudança aparentemente sutil, mas importante na essência, porque torna fundamental que a gente aprofunde nossa espiritualidade. E qualquer que seja a dificuldade no futuro Deus sempre será nossa esperança.

   Já quanto ao conteúdo, a resposta é a mesma de sempre. Quero que seja com o que possa melhor preparar minha filha para o que a vida vai lhe apresentar de desafios no futuro, tanto no plano pessoal, quanto espiritual e profissional.

   Por fim, quanto à forma, sem dúvida nenhuma com muito amor. Como disse Silêda, esposa do pastor Valdir, no retiro: “só o amor traz um filho que se perdeu pelo caminho de volta para casa. Então ame, ame e ame”. De fato, nenhum filho vai buscar o refúgio dos pais quando se encontrar perdido na vida se, ao olhar para a experiência que tinha em casa, lembrar de um ambiente hostil e inseguro. O filho vai buscar um ambiente de segurança e acolhimento. Só o amor traz isso.

   Acredito, portanto, que se educar minha filha com os limites que ela precisa, em um ambiente no qual reine o amor, ela terá sempre uma casa para voltar. E isso mesmo que eu não esteja mais aqui nesse mundo. Porque essa casa não será um lugar físico, mas algo que estará sempre dentro do coração e da alma dela. Algo como descreveu Richard Bach no livro “Longe é um lugar que não existe”. E sempre que ela voltar para casa poderá experimentar novamente a graça de Deus na vida dela, renovando a esperança da vida.

Um abraço, a todos. Para Ana Carolina um beijo com muito amor.

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com.br


PS: quem quiser saber um pouco mais sobre os tipos psicológicos e essa questão do preenchimento dos “copinhos” emocionais sugiro a leitura do capítulo 8 do e-book “A arte da Excelência”, que se encontra disponível gratuitamente no blog “A arte da Excelência”. Aliás, uma boa sugestão é ler o livro todo, rsrsrs.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Como desenvolver o espírito crítico?

   Meus caros:

   Há algum tempo em uma palestra em que falava sobre a carreira de Juiz Federal uma estudante me fez uma pergunta bem interessante. Disse ela: "professor, eu queria saber como podemos desenvolver o espírito crítico, já que foi mencionado na palestra ser de grande importância para um Magistrado?"

   Bem, eu  quero esclarecer antes de tudo que não sou propriamente um professor. Seria muito bom se tivesse o dom e a capacidade de ensinar dos grandes mestres que tive na vida. Infelizmente nesse ponto ainda sou um aprendiz. De qualquer modo me esforço para, como um bom aluno, tentar compartilhar com os outros estudantes um pouco daquilo que tenho aprendido.  

   Nesse contexto, em primeiro lugar me parece oportuno explicar porque o espírito crítico é importante para um Juiz Federal ou, a meu ver, em qualquer carreira e mesmo nas atividades em geral. A resposta pode parecer óbvia, mas isso não elimina o fato de que muitas pessoas simplesmente não se preocupam em desenvolver a capacidade de pensar por si mesmas, que no fundo é uma boa forma de definir o que seja espírito crítico. Ora, em um mundo cada vez mais repleto de informações, disponíveis em todo o lugar e a toda hora, a capacidade de analisar de forma criteriosa toda informação recebida é fundamental para que se consiga filtrar o que presta do que não presta e, assim, ter-se uma informação de qualidade e confiável em mãos.

    Pois bem, dito isso, e tentando ainda hoje encontrar uma boa resposta para a pergunta que me foi feita, venho pensando que a prática reflexiva é algo fundamental para desenvolver o chamado espírito crítico. E o que é prática reflexiva? É a atitude constante de pensar sobre o que se está vendo, lendo, assistindo, ouvindo e percebendo em relação ao mundo. Não só em relação ao mundo exterior, mas também, e talvez especialmente, em relação ao nosso mundo interior, que é repleto de sentimentos e pensamentos que muito comumente deixamos passar ou até preferimos deixar passar despercebidos.

   Complexo isso, não? Com toda certeza algo não só complexo, mas também difícil de ser feito. Bem mais fácil simplesmente ir seguindo em frente, sem pensar muito, apenas vivendo e deixando viver. Não que viver e deixar viver seja uma filosofia de vida ruim, quero deixar claro. Tem seus pontos positivos e é algo bem adequado para diversos momentos da vida. Mas em termos de desenvolver o espírito critico, que é o nosso tema, não tem grande eficiência.
 
   Muito bem, então como fazer para, no dia-a-dia, incorporar o hábito da prática reflexiva, do pensar sobre o que acontece ao nosso redor e dentro de nós mesmos? Penso que o ponto inicial fundamental é olharmos para dentro de nós mesmos e estarmos atentos as nossas reações, nossos motivos, nossos sentimentos. Tentar entender e conhecer a si mesmo é um grande ponto de partida. E esse ponto de partida deve ser renovado a cada dia. Depois podemos olhar para fora e tentar entender um pouco as razões e os motivos dos outros. Aceitar a diversidade, compreender que o outro tem medos, preocupações e angústias como nós também temos e que podem explicar o porquê de atitudes tão sem sentido que adotamos e que os outros adotam. Isso nos dará, ao longo do tempo, uma boa visão crítica dos aspectos psicológicos que movem o mundo.

   Para além dos aspectos psicológicos é fundamental, para aprofundar o espírito crítico, analisar e refletir sempre sobre os pressupostos do que é dito. Não necessariamente para concluir que os pressupostos estão errados. Muitas vezes para concluir que a informação é boa, que a ideia faz sentido. E nesse contexto é importante lembrarmos de questionar igualmente nossos próprios pressupostos, que também podem estar equivocados.

  A partir daí, fazendo uma reflexão que considera quem eu sou e o que é importante para mim no mundo, bem como com a compreensão sobre os outros e sobre os pressupostos das informações que eu emito e recebo, é possível chegar a um resultado de conclusões sobre o que realmente para mim tem sentido e o que não tem o mínimo fundamento. E assim eu formo uma opinião crítica sobre um assunto, passando a ter condições de observar aspectos como quais as fontes das informações, quais os interesses envolvidos na questão e onde se inserem nesses interesses cada um dos atores envolvidos (incluindo eu mesmo). É importante observar que quando falo em interesses envolvidos não são só interesses financeiros, mas também interesses em termos de ideologias, de culturas, de valores, de posição social, entre outros, que influenciam o que cada um pensa sobre um determinado assunto.

   Enfim, o questionamento dos pressupostos, a observação dos atores envolvidos no processo, a seleção das fontes de informação e a reflexão sobre todos esses aspectos desenvolve o espírito crítico, ou seja, a capacidade de pensar por si mesmo na formulação de ideias e soluções, tanto no âmbito pessoal como profissional. O resultado será ainda melhor se aliarmos essa postura de desenvolver o espírito crítico com a busca de nossa melhoria pessoal contínua, pois aí nossa capacidade de pensar por nós mesmos será desde logo aproveitada para o aprimoramento de nossas competências.

   Quero concluir tentando deixar as coisas mais claras apresentando um exemplo bem trivial do que estou falando. Outro dia uma amiga da minha esposa contou a ela sobre um super aspirador de pó que usa um revolucionário sistema de filtro de água desenvolvido na Alemanha. Ela disse que o sistema era sensacional e que era incrível como a água ficou preta depois dos testes que o vendedor fez na casa dela. Por tudo o que ela nos descreveu o produto pareceu ser muito bom. O problema, contudo, era o preço. Cerca de R$ 5 mil. Algo para mim bastante caro em termos de um aspirador de pó. Mas a proposta do produto era boa: eliminar ácaros, bactérias e toda a sujeira da casa. Então resolvi pesquisar se não haveria alguma alternativa mais em conta. Para isso fiquei uns dois dias pesquisando na internet e lendo artigos de tudo quanto é tipo sobre sistemas de filtro de pó. Assisti também ao vídeo de demonstração do fabricante e li algumas análises de usuários. Até que me deparei com um artigo científico que tratava sobre os filtros de aspirador de pó. Nesse artigo havia referência a um filtro chamado HEPA, indicando que esse tipo de filtro teria uma eficiência de 99,7% na filtragem do pó. Isso me chamou a atenção, pois o valor era igual ao do sistema de filtragem com água. Comecei a pesquisar sobre filtros HEPA e a partir disso conclui que era um sistema eficiente, de forma que eu poderia ter um bom sistema de filtragem de pó se adquirisse um aspirador de pó com filtro HEPA. Para minha surpresa nem isso precisava fazer, posto que ao checar nosso aspirador de pó descobri que ele era justamente com o sistema de filtro HEPA. Só precisava limpá-lo periodicamente e fazer a substituição do filtro quando estivesse velho. Isso ao custo do aspirador em torno de R$ 350,00. Foi uma boa noticia para mim essa constatação. De qualquer forma, para tirar qualquer dúvida, resolvi fazer um teste igual ao do vídeo do aspirador com o filtro de água. Fiz a limpeza do filtro HEPA e botei meus travesseiros dentro de um saco plástico de embalagem com sistema de vácuo. Aspirei os travesseiros e minha cama. Ao final o reservatório do filtro estava com uma boa quantidade de pó. Joguei esse pó na água e ela ficou escura como no vídeo promocional do aspirado com filtro de água.
   
   Esse é um exemplo muito simples de como aproveitar toda e qualquer situação para desenvolver o espírito crítico. Além de mostrar que isso tem grande relevância prática. Ao buscar uma resposta sobre se aquela solução espetacular para a limpeza da minha casa seria a única solução que atenderia minha necessidade eu tive que questionar o pressuposto de que o filtro de água seria um sistema sem igual de filtragem de pó. Também tive que refletir sobre o interesse do vendedor em mostrar que o produto dele era único para concluir que precisava de mais informações. Mas a existência do interesse do vendedor não queria dizer que a informação dele não era correta. Por isso tive que continuar minha pesquisa e minha análise crítica para buscar elementos técnicos e evidências científicas que confirmassem ou não que aquela era a única solução para uma excelente limpeza de minha casa. E nesse processo todo tive que ter atenção a um detalhe importante: o meu próprio interesse em encontrar uma alternativa mais barata. Isso deve ser sempre considerado. Porque obviamente a vontade de encontrar uma solução tão eficiente quanto e a um custo menor exerceu grande influencia nas pesquisas feitas. Por isso procurei fazer os testes finais empíricos que mostrassem algum nível de acerto de minha conclusão. Digo algum nível porque o teste foi empírico, de forma que ainda hoje não descarto a possibilidade de ao final o sistema do filtro com água ser melhor que o HEPA. Mas dentro de uma solução razoável estou convencido que o sistema do filtro HEPA é suficientemente bom para aquilo que preciso, considerando também uma relação razoável de custo/benefício. Aliás, é interessante notar, diante das minhas conclusões no caso, que a prática reflexiva pode não terminar nunca, já que quando chego a alguma conclusão sobre algo estou apenas definindo novos pressupostos, os quais sempre podem ser questionados. Registro, contudo, que às vezes é bom saber também o momento certo de interromper a prática reflexiva sobre um determinado assunto para simplesmente viver e deixar viver. Por exemplo, sem pensar mais em eficiências de sistemas de aspiração de pó. Ao menos por enquanto.

   É isso, meus caros. Quero fazer um agradecimento especial, ao final dessa postagem, ao Professor José Carlos Zanelli, do Instituto Zanelli, de Florianópolis-SC, que ministrou um curso inovador à distância sob o título de "Prática Reflexiva das Ações Gerenciais", que tive a oportunidade de participar. Ao longo de 13 encontros mensais foi possível ampliar o conhecimento de como a prática reflexiva, que já me acompanhava desde antes do curso, pode e deve ser aplicada de diversas maneiras na melhoria dos processos gerenciais e produtivos. Deixo meu agradecimento porque certamente muitas ideias dessa postagem vieram das reflexões feitas durante o curso.  

Um grande abraço,

Emmerson Gazda
artedaexcelencia.blogspot.com

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Você conhece "A fada da felicidade"?

 Meus caros:

   Calma, não vou falar nessa postagem sobre personagens imaginários e suas relações com a busca por uma vida feliz. Até que seria um tema interessante para alguma digressão, mas a questão aqui é muito mais simples. Estou escrevendo essa postagem para fazer um convite de leitura do e-book infantil "A fada da felicidade", que escrevi junto com minha filha de 5 anos e a partir de hoje está disponível para download aqui no blog, no lado direito da página, inaugurando o Espaço kids da Excelência. A versão desse livro, diante das ilustrações, é exclusivamente em PDF. Há também uma versão em videobook para assistir no nosso canal no youtube, com narração da própria "fada da felicidadade".

   Essa é uma obra artesanal, mas nem por isso deixa de ser especial. Fiquei na dúvida, no início, se deveria fazer algo mais elaborado. Certamente minha filha iria gostar do resultado. Mas no fim conclui que o principal nesse projeto era mostrar que com simplicidade podemos conseguir também um resultado muito interessante. Obviamente que pelo menos um exemplar em papel foi feito, na impressora aqui de casa. A vontade de levar o material para a escola era grande. E o resultado, com a leitura do livro em sala de aula, foi muito positivo. O exemplar ficou na escola. Seguiu para a Diretoria, o que nem sempre é notícia ruim.

   Para quem se interessar em brincar com seus filhos de escrever livros digo que foi para mim algo muito divertido. A ideia veio de minha filha. Sempre que a gente lê um livro ela quer saber também do escritor e do ilustrador. Outro dia ela disse que quando crescesse também escreveria um livro. Eu falei prá ela que eu já tinha escrito um livro, mas era para adultos, sem figuras. Ela disse que o dela ia ser prá crianças, com muitos desenhos. Então eu disse que ela já podia escrever o livro. Como ela ainda não sabe escrever eu sugeri que a ajudaria com as palavras. E ela faria as ilustrações. Surgiu o tema das fadas. Depois da felicidade, quando falei sobre o que tratava meu livro "A arte da Excelência". Disso nasceu a história, com ela me contanto como era a felicidade para uma criança. A maior surpresa veio no final, quando ela afirmou que era ela própria a fada da felicidade. Eu observei que ela tinha razão, já que cada um é o grande responsável por sua própria felicidade. 

   Sobre como "brincar" de escrever um livro eletrônico com seu filho a dica é muito simples. Dê uma olhadinha no livro "A fada da felicidade" para ter uma ideia do resultado final. O que fizemos foi primeiro escrever o texto no editor do computador, usando a página no formato paisagem dividida no meio, ou seja, em duas colunas. Ajustamos as margens todas para 1,5 cm e deixamos o texto bem no alto. Imprimimos as folhas em papel A4 e cortamos ao meio. Daí minha filha fez os desenhos conforme sua inspiração para o texto de cada página. Ao final eu fiz uma edição básica copiando e colando os desenhos no "boneco" do livro feito no editor de textos, gravando a seguir o arquivo em PDF. Uma outra solução era escanear tudo na sequência das páginas em um único documento PDF e pronto. As páginas soltas transformam-se em um livro eletrônico. 

   A versão em videobook exige um pouco de domínio de ferramentas de edição de vídeo e áudio no computador. Mas nada muito complexo. A sugestão é escanear as páginas do livro original em .jpg, formato 15 x 21. Depois gravar o som usando algum gravador de voz no celular. O melhor é gravar cada página em um arquivo separado. Vai facilitar na hora de unir as imagens com o som. Depois é só usar um programa de edição de vídeo. Eu usei o windows movie maker, que já veio com meu computador. Uma dica para melhorar a edição do som é usar o programa gratuito audacity. Mas para editar sons em mp3 ou mpeg-4 você terá que instalar os plugins desses formatos. Depois que conseguir instalar a edição é muito fácil. 

   O link https://drive.google.com/file/d/0B8dnrDVkyTsjUUlMcDVUd0h0bnc/view conduz ao e-book "A fada da felicidade" em pdf. A dica é fazer o download no tablet, celular ou computador para ajustar ao tamanho da tela. Direto na visualização do computador a imagem fica muito grande e não permite ajustes.

   Para a versão em videobook, via youtube, acesse https://youtu.be/rIZ3O8DydUM

Um grande abraço, 

Emmerson Gazda