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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Olho por olho, dente por dente?

Meus caros:

   Semana passada escrevi sobre a importância de respeitar para ser respeitado. Esse tema fez-me pensar em algo que acontece com frequência quando somos desrespeitados: a vontade de devolver na mesma moeda, de dar uma lição na pessoa que nos desrespeitou. Isso por acaso já aconteceu com você? Fique tranquilo, também já aconteceu comigo. A vontade de reagir fazendo o outro provar do próprio “veneno” é algo natural ao ser humano. É uma reação instintiva e se explica fisicamente: a toda ação corresponde uma igual reação em sentido contrário.

   Nesse cenário, a questão que apresento para reflexão é: reagir na mesma moeda é uma boa estratégia para o enriquecimento de nossas relações pessoais e profissionais? Bem, se pensarmos do ponto de vista da necessidade que todo indivíduo tem de não ficar acumulando em si mesmo o desrespeito praticado pelos outros, diria que reagir e esbravejar na hora seria algo positivo. É a ação das famosas pessoas que não levam desaforo para casa. Se me desrespeitou já leva o troco na hora! O problema é que essas pessoas se tornam famosas justamente pelo fato de todos saberem que ficam facilmente irritadas. Então os outros tomam todo o cuidado com elas, aproximando-se apenas o necessário. Logicamente, como consequência, esses indivíduos têm um círculo de relações pessoais bastante frágil e tenso.

   Por outro lado, se pensarmos que nosso objetivo maior não é devolver o desrespeito, mas ser respeitado pelo outro, então é fácil perceber que simplesmente agir da mesma forma não gerará benefício futuro nenhum. Pelo contrário. Fará o outro sentir-se no direito de agir sempre da mesma maneira, em um círculo vicioso sem fim de ações e reações entre os envolvidos, deteriorando nossas relações pessoais.

   Mas então qual seria a solução? Essa é uma boa pergunta. Já sabemos, ao menos, como não agir. Agora resta saber quais ações podemos tomar para que de uma situação inicial desfavorável possamos construir uma situação futura melhor. Acredito que o verbo “construir” é um bom indicativo do caminho a ser seguido. A melhoria, nesse caso, será um processo, será algo a ser construído com ações positivas de nossa parte.

   Percebam o seguinte: em uma relação de conflito, que é que algo pode surgir em razão do desrespeito, cada uma das pessoas envolvidas tende a fazer força para justificar seu ponto de vista. Assim, enquanto um faz força de um lado, o outro faz força no sentido exatamente contrário. Se a força de um lado é aumentada, a força do outro também é multiplicada. E no fim das contas não se sai do lugar. O mais interessante é que, enquanto estão fazendo força para fazer valer suas posições, as pessoas não têm capacidade para raciocinar. Isso faz imperar aqui a mais absoluta irracionalidade. O que importa nesse momento é vencer a batalha que se instaurou, esteja a pessoa com razão ou não, custe o que custar. É uma questão de honra, dirão alguns!

   Isso me leva a concluir que a conduta adequada para acabar com o conflito não é fazer força em sentido contrário. O que me parece adequado é parar, olhar para as razões do outro e procurar entendê-las. A partir daí, ao invés de fazer força em sentido contrário, pode-se com tranqüilidade mostrar para o outro que mesmo ela tendo razões eventualmente justas, o caso exige que encontrem juntos uma forma de resolver o problema atendendo os interesses de todos os envolvidos, que também têm razões justas a serem observadas.

   Essa estratégia de ação é bem interessante porque atuamos diretamente nas forças que movem a outra pessoa. Com isso, além de termos a possibilidade de mostrar a ela novos horizontes, há concretamente um campo de atuação para uma ação positiva conjunta, levando, por exemplo, do desrespeito ao respeito.

   A estratégia apresentada serve não só para situações de desrespeito. É bastante útil em todas as situações de conflito. Conflitos em casa, com filhos ou companheiro(a), conflitos no trabalho, com algum colega, conflitos com amigos, conflitos na vida social, entre outros. Até para conflitos judiciais é um modelo interessante, para atingir uma composição amigável da ação e o fim maior do processo que é as pessoas saírem em paz da Justiça.

   Quero registrar, por fim, que não fui eu quem inventei essa estratégia de atuação em casos de desrespeito e conflito. Na verdade ela existe há mais de dois mil anos, relatada em um dos textos mais belos que já li. Estou falando do “Sermão da Montanha”, Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículos 38 e seguintes. Falando sobre a vingança, Jesus observa: “Vocês ouviram o que foi dito: “olho por olho, dente por dente”. Mas eu lhes digo: não resistam ao perverso. Se alguém lhes ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. (...). Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. (...).

   Aqui, em uma análise pessoal minha e deixando de lado um pouco a Teologia, vejo que um dos grandes Mestres da Humanidade, o Filho de Deus para os Cristãos como eu, nos dá uma lição simples de como devemos agir diante do desrespeito e da injustiça. De maneira alguma devemos devolver na mesma moeda, pois isso só faria reforçar a situação de perversidade. A solução é estar disponível para nos envolvermos com a pessoa que nos aflige, correndo por certo risco de novo desrespeito ao oferecer a outra face, mas caminhando com ela o quanto for preciso para alcançar um resultado futuro positivo.

   Espero que essa passagem do "Sermão da Montanha" nos venha à memória quando tivermos vontade de reagir na mesma moeda a um desrespeito, a uma injustiça. E que assim possamos de um momento inicial desfavorável construir grandes histórias de bons relacionamentos pessoais e profissionais.

Um grande abraço e até semana que vem,

Emmerson Gazda
www.artedaexcelencia.blogspot.com

2 comentários:

  1. Emmmerson,

    Beleza de artigo!

    Segundo os teólogos, quando Cristo fala para oferecer a outra face, ele quis dizer que era para responder de outra forma, de forma pacífica, pois só o amor vence o ódio.

    Abraço,

    Márcio

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  2. Márcio,

    Boa observação. A paz como melhor resposta para a agressão. Parece que faz sentido. Pena que seja tão difícil ver isso aplicado na prática.

    Um abraço,

    Emmerson

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