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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Você decide por intuição?

Meus caros:

   Na sexta-feira passada estava assistindo com minha filha ao desenho do Pequeno Príncipe e enquanto a história se desenvolvia comecei a pensar sobre alguns conceitos desse livro, que certamente é um grande inspirador da “Arte da Excelência”.

   Quem já teve a oportunidade de fazer essa agradável leitura deve lembrar-se da passagem inicial, em que o Pequeno Príncipe apresenta seu famoso desenho n. 1. Um elefante engolido por uma jiboia, visto pelos adultos sempre como um simples chapéu. A razão para a confusão? O desenho parece mesmo um chapéu, para quem já está impregnado pelo pensamento lógico, algo típico de um adulto. Assim, para ter a capacidade de ver as coisas de uma outra forma só mesmo sendo como as crianças. Mas quem iria imaginar isso?

   A grande questão é que nossa educação é baseada essencialmente no modelo matemático. É fácil perceber que o pensamento lógico domina nossa formação escolar. Basta ver quais são as matérias mais importantes na grade curricular de ensino fundamental e médio. Matemática, Ciências, Química, Português com ênfase no escrever corretamente, História com base em formar raciocínios a partir de eventos passados, Geografia. Matérias ligadas às artes e ao esporte estão em segundo plano.

   A consequência desse modelo a que estamos submetidos no desenvolvimento de nossa inteligência é que temos um ótimo treinamento para decidir as coisas com base na lógica. Isso não é algo ruim. O raciocínio lógico é muito bom para resolvermos a maior parte de nossos problemas. Com ele conseguimos tomar várias decisões acertadas em nossas vidas e conduzi-la por um bom caminho.

   A reflexão que faço, contudo, é que o raciocínio lógico não é a única forma possível de tomarmos uma boa decisão. Aliás, em alguns casos, especialmente naqueles que possuem conteúdo emocional, a lógica pode se revelar desastrosa ao nos auxiliar a definir como devemos agir. Mas não é só em casos com conteúdo emocional que a lógica pode se revelar insuficiente. Também em ações profissionais, definições de investimentos pessoais, escolha de carreira, resolução de dúvidas em geral sobre o que fazer para atingir sonhos e objetivos, entre outros, a lógica pode ser insuficiente.

   É aí que entra a intuição. Com efeito, a lógica é muito boa, mas é altamente conservadora. Ela tende a defender o estado atual de coisas, evitando que atuemos de forma ousada ou corramos riscos. Para dar um exemplo, se pensarmos apenas logicamente dificilmente algum de nós iria ter filhos. Dá muito trabalho, é caro, não se dorme mais direito, o mundo já tem gente demais, tudo são razões lógicas para não entrarmos nessa “piscina gelada”, como me disse outro dia uma amiga que ainda não tem filhos. Mas como usamos a intuição e deixamos os sentimentos estarem presentes em decisões afetivas, acabamos decidindo por dar esse passo em relação a um novo mundo que é a paternidade e a maternidade. Mundo que, apesar de todas as dificuldades apontadas pela lógica (que de fato existem), tem recompensas que não são possíveis de explicar logicamente.

   Outro aspecto do raciocínio lógico é que ele não é livre de erros. Esse tipo de raciocínio está baseado na quantidade de conhecimentos prévios que temos sobre uma determinada situação e sobre a nossa capacidade de processar esses conhecimentos, de forma a chegar a uma decisão correta. Ocorre que muitas vezes nosso conhecimento está equivocado, nossos pressupostos estão errados. E aí o resultado não será adequado. Ou existem situações tão complexas, com tantos elementos envolvidos, que simplesmente não conseguimos processar as informações e definir uma solução lógica adequada para o problema.

   Novamente a intuição entra aqui como um grande aliado no processo decisório. Você até pode usar a lógica para iniciar a definição da questão, mas quando percebe que existem várias possibilidades lógicas de solução utiliza a intuição para definir o caminho a ser seguido.

   Isso parece coisa distante do mundo dos grandes desafios, do mundo dos negócios, das decisões profissionais. Mas na verdade não é. Muitos profissionais de destaque tem uma grande capacidade de decidir por intuição. Essa qualidade, aliás, é cada vez mais valorizada no mercado. Isso porque a intuição é que permite decisões inovadoras, inesperadas e soluções que a lógica não consegue alcançar.

   E como fazer para aprender a decidir por intuição? Da mesma forma como aprendemos a decidir com raciocínio lógico: treinando decidir com intuição. Para isso é importante desenvolver atividades lúdicas, brincar com os filhos, aproveitar experiências culturais, fazer alguma atividade artística. Enfim, tudo o que possa ampliar a capacidade de pensar sem vinculação com a lógica. Ao mesmo tempo é preciso começar a confiar na intuição. Preste atenção quando sentir em pequenas coisas que deveria tomar uma decisão em um sentido que parece meio ilógico. Que tal adotar essa solução e ver o que acontece? Ao perceber que com pequenas coisas usar a intuição tem um efeito interessante você se sentirá mais confiante para ir usando a intuição nas grandes coisas, nas decisões mais importantes. E assim desenvolverá a habilidade de decidir também com a intuição. Não será necessário abandonar a lógica. Ela é um instrumento positivo. Mas com o complemento da intuição sua capacidade de encontrar melhores estratégias e tomar boas decisões será muito maior.

   É isso meus caros. Reflitam sobre a confiança na intuição e lembrem-se da lição de Antoine de Saint-Exupéry, no Pequeno Príncipe: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos". Será que isso só serve para quando éramos crianças?

Um grande abraço e até semana que vem,

Emmerson Gazda
http://www.artedaexcelencia.blogspot.com/

3 comentários:

  1. Muito bom, Emmerson. Vi em algum lugar, há muito tempo, que deveríamos ler O Pequeno Príncipe a cada dez anos, pois nossas percepções seriam sempre diferentes, apesar da essência normalmente não mudar. Está quase na hora de eu ler de novo, hehe. Grande abraço.

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  2. Emmerson,

    Todas as vezes em que eu não escutei minha intuição, eu me dei mal...

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  3. Raphael, interessante que nas "orelhas" do livro na edição que eu tenho (de 1984) consta que o "Pequeno Príncipe" não é um livro infantil. É uma fábula, com lições para todas as idades. Assim, de fato, a revisita ao seu conteúdo de tempos em tempos é uma boa ideia. Eu reli o livro para a postagem e foi inspirador.
    Sobre não seguir a intuição e se dar mal, eu escuto com frequência essa afirmação. Mas mesmo assim insistimos em duvidar de nossa intuição. Nesse caso não seria até meio lógico segui-la, pelo menos de vez em quando, para ver no que dá?
    Um abraço,
    Emmerson

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