O blog "A arte da Excelência" foi criado para dar continuidade às ideias do e-book de mesmo nome publicado em 18/05/2011. O download gratuito do livro "A arte da Excelência" e outros conteúdos de destaque permanente estão logo abaixo, no lado direito da página. Para ser informado das novas postagens siga o blog ou curta nossa página no Facebook. Para entrar em contato conosco escreva para artedaexcelencia@gmail.com. Um grande abraço e viva com Excelência!

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O que você vai fazer quando a pandemia acabar?

 Meus caros:

   A pandemia da COVID19 alterou significativamente a vida pessoal e profissional de todos nós. E ainda não sabemos de fato quando e como tudo isso irá acabar. Muitas dúvidas existem sobre como será a realidade futura, como será a recuperação econômica, que desafios iremos enfrentar. Isso sem contar a necessidade de enfrentar os problemas e dificuldades atuais que se apresentam a todos, em diferentes perspectivas físicas e emocionais.

   Isso me faz pensar em algo importante a ser considerado no momento atual: o que vou fazer quando a pandemia acabar? Ainda que seja um evento futuro, essa questão é fundamental no momento presente porque, tirando o fato de que todos nós certamente em um momento inicial vamos extravasar de alguma maneira para recuperar o "tempo perdido", depois desse curto período de euforia virá a realidade a ser enfrentada. O novo normal, com novas e também as mesmas dificuldades de sempre. E aí ter planos traçados e estar preparado para botar esses planos em ação é algo que irá ajudar.

   Perceber que a vida está seguindo e, nesse momento de pandemia, pensar no que pretendemos fazer depois é algo importante. Para algumas coisas realmente tudo que podemos fazer agora se limita a pensar e planejar. Mas outras já podem ser executadas de imediato. Por exemplo, se nesse período de pandemia você resolveu que quer novas possibilidades profissionais, talvez mudando de área ou mesmo fazendo um concurso para uma carreira pública, a hora é de começar a estudar, para quando os concursos voltarem estar preparado. Também se pensa em abrir um negócio ou precisa alterar os rumos da sua empresa, a hora de analisar as possibilidades e definir estratégias é agora, ainda que vá esperar a pandemia passar para botar os planos em ação. 

   Enfim, muitos falam que esse ano de 2020 está sendo perdido. De fato, se você está parado só porque estamos mais isolados o ano está sendo perdido. Mas eu vejo pessoas tendo ganhos significativos em 2020. Talvez não financeiros (pelo menos não financeiros imediatos). Nesse ponto quase todos nós tivemos perdas. Mas ganhos afetivos (sim, nem todos os casais estão se separando na pandemia!), ganhos no conhecimento de novas tecnologias, ganhos em reflexões sobre a própria existência que podem fazer a vida muito mais simples e feliz logo adiante (ou hoje mesmo!), ganhos em aceitar que no fim não temos controle sobre nada e o que importa mesmo é manter a tranquilidade e aprender a "dançar conforme a música". Essas pessoas já estão planejando como será seu novo normal quando a pandemia acabar. E você? 

   Um grande abraço.

   Emmerson Gazda

   www.artedaexcelencia.blogspot.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Como manter o equilíbrio psicológico na pandemia?

 Meus caros:

   No livro "Why zebras don´t get ulcers", infelizmente sem tradução em português, o autor e pesquisador Robert Sapolsky apresenta um excelente estudo científico sobre o estresse e seus efeitos na saúde humana. No capítulo 13 ele fala sobre 5 coisas que precisamos ter para evitar o estresse psicológico: 1) "outlets" para as frustrações, 2) suporte social, 3) previsibilidade, 4) controle e 5) sensação subjetiva de que as coisas não estão tão ruins. 

   A partir disso é fácil entender como a pandemia gera instabilidade emocional e psicológica em todos nós. Os "outlets" foram suprimidos. Compras, viagens, confraternizações, atividades esportivas de grupo e até uma simples ida à praia sofreram restrições. O suporte social, ou seja, os relacionamentos, está muito limitado. E obviamente perdemos previsibilidade do futuro e controle sobre nossas vidas. Não sabemos quando e como terminará a pandemia e nem como serão as coisas depois que tudo isso passar. Não bastasse isso muitos foram atingidos de uma forma mais dura pela COVID19, seja no aspecto financeiro, da saúde ou mesmo com a perda da vida de alguém próximo, o que é pior.

   Então efetivamente temos uma situação que afeta nosso equilíbrio psicológico. O que podemos fazer? Primeiro de tudo aceitar e ter paciência. A vida entrou em uma espécie de "modo de segurança" e enquanto o problema não for resolvido teremos de nos acostumar a essa forma mais restrita de viver. O segundo passo é entender que isso é algo temporário. Talvez não com uma solução de curto prazo, mas temporário. Vai passar. Com essa percepção o passo seguinte é olhar com positividade para o futuro e incluir nesse tempo de vida diferente o máximo possível das 5 coisas indicadas pelo Sapolsky. Não dá para fazer reunião presencial com os amigos? Ok, mas que tal reuniões virtuais temáticas para discutir assuntos de interesse comum? Se você vive com sua família uma boa ideia é investir na convivência familiar: cozinhar, fazer algo juntos ou mesmo recuperar a afetividade perdida. Isso será muito bom inclusive para depois da pandemia. Enfim, há várias possibilidades de ações de outlet e suporte social que podem ser adotadas. De outro lado, criar uma rotina que inclua bons livros, menos notícias, filmes divertidos, música, exercícios, meditação, conectar-se com a própria espiritualidade, focar nos estudos e no trabalho, entre outras, geram previsibilidade, sensação de que você ainda está no controle e a percepção de que há perspectivas (ou seja, as coisas não estão tão ruins). 

   Isso não significa negar a dificuldade do momento. Apenas é uma forma de tentar gerenciar o estresse psicológico, com o fortalecimento daquilo que mantém o equilíbrio. E caso as coisas saiam do controle, buscar ajuda profissional sempre é uma boa possibilidade. 

   Um abraço,

   Emmerson Gazda
   artedaexcelencia.blogspot.com

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Ter poder de síntese tornou-se questão de sobrevivência!

 Meus caros:

   Quando resolvi voltar a escrever para o blog algo me dizia que precisava mudar alguma coisa. Mas isso ficou em aberto para reflexão. Foi quando minha esposa deu um feedback perfeito. Ela disse: "o texto está interessante, mas como é longo ainda não cheguei no final". Nesse exato momento percebi o que precisava mudar nas minhas postagens: em poucas linhas, dizer o necessário.

   Parece simples, mas falar pouco e dizer muito não é fácil. Não fomos treinados para isso. Não temos essa habilidade. Não estamos focados nisso. Ao longo da vida somos incentivados a nos expressarmos de maneira extrovertida como caminho para o sucesso. E a extroversão não impõe limites. Contudo o mundo mudou. O tempo ficou curto. Especialmente na internet. Falar demais virou quase sinônimo de falar sozinho porque em determinado momento ninguém mais fica para escutar. Então o que temos de fazer? Focar no objetivo de desenvolver essa nova habilidade que chamaria de poder da síntese. 

   Não tem fórmula mágica aqui, mas sempre é bom saber que as palestras em formato TED tem no máximo 18 minutos porque as pesquisas mostram que a atenção dos ouvintes nesses eventos está limitada ao tempo de 10 a 18 minutos. Já em vídeos simples e ocasionais se o conteúdo não for interessante nos primeiros 8 segundos já era. Faça um teste consigo mesmo: no whatsapp você ainda é uma das raras pessoas que lê mensagens longas até o fim ou escuta na íntegra áudios infindáveis? O fato é que quando conversamos ao vivo não temos como fugir da enrolação do outro. Mas no virtual as possibilidades de fuga são infinitas. E serão usadas contra você!

   Portanto ter poder de síntese tornou-se questão de sobrevivência. Invista na aquisição dessa habilidade. Fale menos. Reflita mais. Diga o que precisa ser dito. Vá direto ao ponto. Não enrole. Nas atividades online seja objetivo. Não baseie suas apresentações e palestras em slides sem fim. Não perca os 8 segundos iniciais do seu podcast ou vídeo pedindo para as pessoas curtirem o canal. Mostre conteúdo e surpreenda no início para prender a atenção. Prepare-se para falar. Escreva com sabedoria. Se por questões técnicas for necessário escrever mais, use tópicos e considere incluir um resumo no começo, para garantir que pelo menos o resumo seja lido. Por fim, entre em um círculo de melhoria contínua com o foco da síntese. 

Um abraço, 

Emmerson Gazda
artedaexcelencia@blogspot.com

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O mundo será melhor após a pandemia?

 Meus caros:

   No início da pandemia recebi muitas mensagens otimistas falando sobre como era necessário tudo isso para uma mudança de cultura, para evoluirmos para um mundo melhor. Hoje, passados cerca de 5 meses desde que a COVID19 tomou conta do Brasil, escuto muita gente falando em um tom bem mais pessimista de que no fim sairemos dessa muito pior que entramos, tanto do ponto de vista econômico, como especialmente enquanto pessoas, com um mundo ainda mais egoísta e individualista. E você que lê essa mensagem nesse momento, o que pensa a respeito? O mundo será melhor após a pandemia? 

   A minha resposta para essa questão é sempre uma resposta muito eficiente quando você não tem uma resposta pronta para um problema: depende. E do "depende" você pode divagar por diversos caminhos, que permitem criar aproximações para resolver seu problema. 

  Contudo aqui estou usando o "depende" como base para uma outra ideia. A ideia que quero expressar é que o mundo pode ser pior ou melhor depois da pandemia dependendo de como cada um de nós lida com a situação. Porque globalmente falando o mundo é imenso. Agora, quando você muda o foco para o seu mundo pessoal ele é muito pequeno. Evidente que o mundo como um todo é influenciado pelo que cada um faz em seu mundo individual. Agora, pensar dessa forma segmentada, identificando vários mundos dentro da realidade maior, nos permite identificar com mais precisão os aspectos em que realmente temos algum poder de ação, para trabalharmos neles. 

   Nesse ponto é que começamos a compreender que o mundo ser melhor ou pior depois da pandemia depende de nós. Claro, individualmente não vamos mudar o mundo como um todo. Nem mesmo nossos filhos, amigos, pais ou cônjuges podemos mudar. Sobre estes nós podemos ter algum poder de influência, o que é bem diferente do poder de gerar efetivas mudanças. Porque as mudanças reais só existem quando a própria pessoa decide fazê-las, buscando aprimoramento. Apesar disso, não tenho dúvidas que podemos mudar nosso mundo para melhor porque para isso acontecer o mais importante e fundamental é mudarmos a nós mesmos para melhor. E isso está totalmente em nossas mãos. 

   Eu sei que nesse momento, com tantas coisas complicadas acontecendo ao nosso redor, você pode estar meio desanimado com a possibilidade de pessoalmente sair dessa melhor do que entrou. Talvez o seu negócio esteja em crise, você tenha perdido o emprego, esteja se sentindo solitário/deprimido ou mesmo tenha perdido alguém muito importante na sua vida, o que é ainda pior. Realmente o momento não é bom. Não tem como negar isso. Mas por incrível que pareça todas essas situações não determinam que seu mundo após a pandemia será pior. 

   Novamente insisto que o futuro vai depender de como cada um de nós lida com todas essas situações. E aqui quero trazer um dado surpreendente, de uma pesquisa que encontrei no livro "The happiness equation", autor Neil Pasricha. Na verdade o Neil faz referência à pesquisa do professor Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, que está no livro "The how of happiness". Mas o que importa aqui é o dado, segundo o qual apenas 10% da nossa felicidade depende do que acontece com o mundo ao nosso redor. Os outros 90% da nossa felicidade são definidos pela forma como nós vemos o mundo. Olha o que o Neil Paricha diz, em tradução livre: "Deixe-me colocar isso em outras palavras: se eu souber tudo sobre as circunstâncias da sua vida (trabalho, saúde, situação do seu casamento, situação financeira) eu poderia prever apenas 10% da sua felicidade. Só isso. O restante não é determinado pelo seu mundo exterior mas sim pela forma como seu cérebro o processa". 

   Antes de prosseguir deixa eu abrir um parênteses. Esse livro do Neil Pasricha é muito bom. Realmente uma leitura que tenho recomendado. É uma pena que não tenha em português. Mas a leitura em inglês é nível intermediário e acaba sendo uma boa dica para aproveitar e incrementar seu inglês, uma vez que é escrito de uma forma bem leve e agradável de ler. Eu não tenho nenhum daqueles patrocínios de influencer para fazer a indicação, mas você consegue encontrar em formato digital ou mesmo para comprar em papel pela internet.

   Agora, prosseguindo. Esse dado de que apenas 10% do resultado positivo em nosso próprio mundo depende de elementos externos e que 90% depende de como a gente lida internamente com as circunstâncias que nos atingem é algo bastante interessante. A primeira coisa que você pode fazer é duvidar dessa afirmação. Mas pense bem. Podemos até achar que a relação 10-90% é exagerada. Contudo quando olho para minha própria vida vejo que faz muito sentido o fato de que uma parte muito significativa de minha satisfação com a vida depende de como minha mente lida com as circunstâncias. Tanto adversas quanto, por incrível que pareça, as coisas boas. Tem gente que acorda de manhã às 6 para trabalhar e agradece por estar vivo. Outros acordam de manhã às 7 para trabalhar e reclamam de ter que acordar tão cedo. E por aí vai. A mente desempenha um papel chave na qualidade do nosso mundo pessoal. Os neurocientistas estão aí para provarem isso. 

   Pensando nisso eu volto a perguntar: o mundo será melhor após a pandemia? Minha resposta: depende. Se você aproveitar esse período para revisitar seus conceitos, aprofundar seus relacionamentos mais íntimos, limpar um pouco da sua vida aquilo que realmente não lhe é importante, investir em coisas simples que lhe fazem bem e já estavam meio esquecidas, repensar seu negócio, buscar conhecimento para fazer um upgrade na carreira, estudar para um concurso público que vai acontecer mais adiante, enfim, tornar-se uma pessoa melhor, com certeza seu mundo será melhor após a pandemia. Por consequência você irá influenciar as pessoas do seu círculo mais próximo a serem melhores e com isso existe uma boa possibilidade de também o seu mundo mais próximo se tornar melhor. Em uma visão utópica se todos passarmos por esse processo o mundo como um todo se tornará um lugar melhor. 

   Uma nota final e importante: pode ser que você esteja passando por uma situação bastante difícil nesse momento. Tem solução? Tem que ter. Eu particularmente encontro na espiritualidade um refúgio quando as coisas ficam difíceis. Mas nem por isso deve ser descartada a necessidade de ajuda profissional, se necessário. A depressão, a perda de alguém querido, as dificuldades financeiras e materiais são questões que podem nos levar a perder a capacidade de lidar de forma positiva com as circunstâncias. E aí os 90% que dependem de nós ficam prejudicados. É normal que isso aconteça. É ainda mais normal que isso aconteça em tempos como os que estamos vivendo. Busque ajuda de alguém de sua confiança ou mesmo ajuda profissional se sentir dificuldade em dar os primeiros passos sozinho. Mantenha a calma, tenhamos paciência que o mundo ainda pode ser muito bom, apesar das dificuldades que estamos passando. Eu mesmo procurei dar um passo adiante a voltar a escrever para o blog. Algo que tinha ficado meio esquecido no meio de tantas atividades do dia a dia. Mas percebi novamente que aqui é também um bom refúgio para mim. Mesmo que só eu mesmo leia as postagens até o fim.

Um abraço, 

Emmerson Gazda
artedaexcelencia.blogspot.com